REDIP  
Revista Digital de Investigación y Postgrado  
Volume 7, número 14 (julho-dezembro, 2026 Redip  
1
ISSN: 2665-038X  
Depósito Legal: TA2019000041  
https://redip.iesip.edu.ve/  
FUNDO EDITORIAL DO INSTITUTO DE ESTUDOS  
SUPERIORES DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO  
Fediesip  
Instituto de Estudos Superiores de  
Pesquisa e Pós-Graduação  
Revista Digital de Investigación y Postgrado  
Coordenação editorial: Dr. Omar Escalona Vivas  
© 2021, Creative Commons Foundation.  
https://portal.issn.org/resource/ISSN/2665-038X  
ISSN: 2665-038X  
Depósito Legal: TA2019000041  
Instituto de Estudos Superiores de Pesquisa e Pós-Graduação, IESIP  
Editor: Fundo Editorial do Instituto de Estudos Superiores de Pesquisa e Pós-Graduação.  
San Cristóbal, estado de Táchira - Venezuela  
Barrio Obrero. Quinta La Macarena  
Carrera 17 entre Calles 13 y 14. N°13-52 A.  
http:///iesip.edu.ve  
2
Redip by Fediesip is licensed under a Creative Commons  
Reconocimiento-NoComercial-CompartirIgual  
4.0 Internacional License http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/  
REDIP, Revista Digital de Investigação e Pós-Graduação, publicação semestral, Vol. 7 Nº 13, janeiro-junho 2026. Editor res-  
ponsável: Omar Escalona Vivas. Domicílio da publicação: Instituto de Estudos Superiores de Pesquisa e Pós-Graduação  
(IESIP). San Cristóbal, estado de Táchira - Venezuela. Telefone: (+58) 04147158835. Correio eletrônico: redip@iesip.edu.ve  
© Redip. Revista Digital de Investigação e Pós-Graduação. Os conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade  
dos seus autores. É permitida a reprodução de textos citando a fonte  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Objetivo e alcance de REDIP  
O objetivo da REDIP é divulgar pesquisas, ensaios, artigos científicos e experiências inovadoras reali-  
zadas por estudantes de pós-graduação em temas como ciências sociais, educação e epistemologia.  
Além disso, dado que o objetivo da revista é comunicar informações científicas, é importante referir-  
se aos destinatários de todo o processo, que não são outros senão os leitores.  
REDIP está indexada na Rede Latino-Americana de Revistas em Ciências Sociais LatinREV, Google  
Scholar, Academic Resource Index ReseachhBib, EuroPub, Associação de Revistas Acadêmicas de Hu-  
manidades e Ciências Sociais (La) e INTERNET ARCHIVE. A revista é signatária da Declaração de São  
Francisco DORA, Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste BOAI e da Declaração de Educação Aberta  
da Cidade do Cabo CPT+10. REDIP tem presença nas redes sociais como LinkedIn, Instagram e Fa-  
cebook. A revista opera sob uma licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial 4.0 Interna-  
cional; toda obra derivada deve ser publicada e distribuída sob a mesma licença de acesso aberto  
CC-BY-NC-SA que é concedida na publicação original. A revista possui o International Standard Serial  
Number ISSN: 2665-038X indexado por Carretera, número internacional normalizado de publicações  
seriadas. O número de Depósito Legal TA2019000041 foi atribuído em 4 de setembro de 2019 pelo  
Instituto Autônomo Biblioteca Nacional e Serviços de Bibliotecas na Venezuela, em uso da atribuição  
legal contida no Artigo 14º da Lei de Depósito Legal, em conformidade com os Artigos 31º e 41º do  
Regulamento da referida Lei. ISSN atribuído pelo Instituto Autônomo Biblioteca Nacional e Serviços  
de Bibliotecas na Venezuela.  
3
O acesso à REDIP pode ser feito pelos seguintes links:URL: redip.iesip.edu...  
Google: www.google.com/...  
Bing: www.bing.com/se...  
Yahoo: search.yahoo.com.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Instituto de Estudos Superiores  
de Pesquisa e Pós-Graduação  
Directora Geral  
Dra. Danny Soledad Méndez Márquez  
Email: danny.mendez@iesip.edu.ve  
Coordenador Geral Acadêmico  
Marco José Roa Méndez  
Email: danny.mendez@iesip.edu.ve  
5
Secretário Geral  
Dr. Oscar Enrique Cárdenas Duarte  
Email: oscar.duarte@iesip.edu.ve  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Revista de Investigación y Postgrado  
Volume , número 14 (julho-dezembro), 2026  
Comitê Editorial  
Editor Chefe  
Omar Escalona Vivas. Dr. em Ciências da Educação. Instituto de Estudos Superiores de Pesquisa e  
Pós-Graduação: San Cristóbal-Venezuela. Email: omar.escalona@iesip.edu.ve  
7
Coordenadores Internacionais  
Ronald Humberto Ordoñez Silva. Dr. em Ciências da Educação. Corporación Internacional para la  
Gestión del Conocimiento Corpcigec, Quito-Equador. Email: ronald.cigec@gmail.com  
Yan Carlos Ureña Villamizar. Dr. em Ciências, Menção Gerência. Universidad Privada Dr. Rafael Be-  
lloso Chacín. Dr. em Gestão da Tecnologia e Inovação. Pós-doutorado em Ciências Humanas, Univer-  
sidad del Zulia. Tecnológico de Antioquia, Antioquia – Colômbia. E-mail: yan.ureña@tdea.edu.co  
Wit Jay Vanegas. Dr. em MSc Gerência de Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento. Universidade Na-  
cional Aberta e a Distância. Barranquilla – Colômbia. E-mail: wittjayvanegas001@gmail.com  
Conselho Científico  
David Gerardo Colina Gómez. Dr. em Ciências Gerenciais. Instituto de Estudos Superiores de Pes-  
quisa e Pós-Graduação, San Cristóbal-Venezuela. E-mail: dagercol@gmail.com  
Jonathan de Jesús Pernía Pérez. Dr. em Ciências Sociais. Universidad Nacional Experimental Simón  
Rodríguez, Venezuela, La Grita – Venezuela. E-mail: perniaperezjonathanjesus@gamil.com  
Dilka Consuelo Chacón Hernández. Dra. em Ciências da Educação. Instituto de Estudos Superiores de  
Pesquisa e Pós-Graduação, San Cristóbal-Venezuela. E-mail: chacondilka113@gmail. com  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Marco José Roa Méndez. Dr. em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Instituto de Estudos Superiores  
de Pesquisa e Pós-Graduação, Venezuela. E-mail: mendezmarcosjose@gmail.com  
Lidiz Thamaira Pérez Meneses. Dra. em Ciências da Educação. Instituto de Estudos Superiores de Pes-  
quisa e Pós-Graduação, San Cristóbal-Venezuela. E-mail: tamyperezmeneses@hotmail.com  
Iraima Zoraida Pérez Meneses. Dra. em Ciências da Educação. Universidade Pedagógica Experi-  
mental Libertador, Rubio - Venezuela. E-mail: iraimaperez@hotmail.com  
Lesbia Ferrer Cayama. Dra. em Ciências da Educação. Universidade Nacional Experimental dos Llanos  
Ocidentais Ezequiel Zamora. Santa Bárbara, Barinas - Venezuela. E-mail: lesbiaferrer68@gmail.com  
Álvaro Sánchez Romero. MSc. em Gestão das Tecnologias Educativas. Colégio Carlos Vicente Rey.  
Piedecuesta - Colômbia. E-mail: grupo.investigacion.cavirey@gmail.com  
Damian Islas Mondragón. Dr. em Filosofia da Ciência. Instituto de Ciências Sociais – Universidade  
Juárez do Estado de Durango. México. E-mail: damianislas@ujed.mx  
Conselho Internacional de Revisores  
8
Diego Fernando Coral Coral. Dr. em Física, Pós-doutorado em Nanotecnologia. Universidade do  
Cauca: Popayán, Cauca, Colômbia. E-mail: dfcoral@unicauca.edu.co  
Fermín Aceves de la Cruz. Dr. em Ciências Físicas. Universidade de Guadalajara: Guadalajara, México.  
E-mail: fermin.adelacruz@academicos.udg.mx  
Mauricio Gerardo Duque Villalba. Dr. em Ciências da Educação. Instituição Educativa Distrital Nicolás  
Buenaventura. Santa Marta, Colômbia. E-mail: mageduvi@hotmail.com  
Cristóbal E. Vega G. Dr. em Estatística e Pesquisa Operacional. Universidade de Carabobo: Valencia,  
Carabobo - Venezuela. E-mail: cvega@uc.edu.ve  
Gerardo Fabian Goya. Dr. em Física. Universidade de Zaragoza. Instituto de Nanociência de Aragão:  
Zaragoza - Espanha. E-mail: goya@unizar.es  
Gerson José Márquez. Dr. em Física da Matéria Condensada. Universidade Tecnológica do Peru: Are-  
quipa - Peru. E-mail: gmarquez@@utp.edu.pe  
José Rafael Prado Pérez. Dr. em Educação com Menção em Currículo. Universidade dos Andes: Mé-  
rida - Venezuela. E-mail: jrpp@ula.ve  
Otilio Arturo Acevedo Sandoval. Dr. em Ciências Biológicas e Doutor em Ciências Químicas. Uni-  
versidad Autónoma del Estado de Hidalgo: Pachuca de Soto, Hidalgo, México. E-mail:  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
acevedo@uaeh.edu.mx  
Rosmary Guillén Guillén. Mestre em Física e Tecnologias Físicas. Universidad Tecnológica del Perú.  
Arequipa, Peru. E-mail: c21372@utp.edu.pe  
José Armando Santiago Rivera. Dr. em Ciências da Educação. Universidad de Los Andes: San Cris-  
tóbal, Táchira-Venezuela. E-mail: asantia@ula.ve  
Juan José Milón Guzman. Dr. em Engenharia Mecânica. Universidad Tecnológica del Perú: Arequipa,  
Peru. E-mail: jmilon@utp.edu.pe  
Jesús Tanori Quintana. Dr. em Ciências Sociais. Instituto Tecnológico de Sonora: Obregón, Sonora,  
México. E-mail: jesus.tanori@itson.edu.mx  
Conselho Editorial Institucional IESIP  
Coordenação  
Oscar Enrique Cárdenas Duarte. Dr. em Ciências da Educação. Instituto de Estudos Superiores de  
Pesquisa e Pós-Graduação, Venezuela. E-mail: oscarduarte@iesip.edu.ve  
9
Conselho Técnico  
Marcos José Roa Méndez. Dr. em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Instituto de Estudos Superiores  
de Pesquisa e Pós-Graduação, Venezuela. E-mail: mendezmarcosjose@gmail.com  
Lira Soledad Roa Méndez. Dra. em Ciências Sociais. Instituto de Estudos Superiores de Pesquisa e  
Pós-Graduação, Venezuela. E-mail: lyrasoledad@gmail.com  
Tradutor  
Ronald Humberto Ordoñez Silva. Dr. em Ciências da Educação. Corporación Internacional para la  
Gestión del Conocimiento Corpcigec, Quito-Equador. E-mail: ronald.cigec@gmail.com  
Gestão Técnica  
Yossella Valdez. Engenheira de Sistemas. Email: yosella.valdez@iesip.edu.ve  
Ysabel Sánchez. Engenheira de Sistemas. Email: ysabel.sanchez@iesip.edu.ve  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Indexações  
Nossa revista está indexada nas seguintes Bases de Dados e sistemas de informação científica:  
Bases de Dados Internacionais Seletivas  
Plataformas de Avaliação de Revistas  
Indexes en Accès Ouvert  
11  
Diretórios Seletivos  
Hemerotecas Selectivas  
Políticas de Copyright das Editoras e Autoarquivo  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Catálogos de Bibliotecas Internacionais  
12  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
 
13  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
14  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
15  
Firmantes de  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Éditorial  
Entre tensão e esperança: transformações educacionais a partir da sala de aula  
O número que o leitor tem em mãos chega em um momento particularmente significativo para a  
reflexão educacional na Ibero-América. Não se trata de um conjunto de artigos isolados, mas de um  
diálogo profundo entre pesquisadores que, de diferentes países, níveis de ensino e tradições discipli-  
nares, convergem para uma preocupação central: como construir uma educação que não se limite a  
transmitir conteúdos, mas que transforme realidades, subjetividades e práticas profissionais? O con-  
selho editorial selecionou seis trabalhos que, da formação de professores ao ensino de ciências, das  
políticas linguísticas ao pensamento fundador de José Martí, oferecem respostas situadas, críticas e  
esperançosas.  
O primeiro artigo, assinado por Lady Johanna Ulloa Poveda, realiza uma análise rigorosa das políticas  
de bilinguismo na Colômbia. A autora não se limita a revisar programas como o Programa Nacional  
de Bilinguismo ou a lei Colombia, Very Well, mas explora a tensão estrutural entre o papel real e o  
papel ideal do professor. Com um olhar hermenêutico que integra dimensões ontológicas, éticas e  
pedagógicas, a pesquisa revela que a identidade do professor de inglês se constrói em meio a de-  
mandas normativas frequentemente contraditórias e a uma consciência ética pessoal que busca re-  
conciliar-se na prática cotidiana. Os resultados são inequívocos: sem um fortalecimento integral da  
formação de professores – incluindo não apenas competências linguísticas, mas também pedagógicas  
e reflexivas – as metas de bilinguismo permanecerão inatingíveis. A conclusão convida a pensar o  
ensino contemporâneo como uma práxis hermenêutica orientada para a humanização da educação.  
17  
Em seguida, Arnold Barreto Rodríguez aprofunda essa mesma linha de reflexão sobre a identidade  
docente, mas em uma perspectiva centrada nas tensões éticas e existenciais do educador na Colôm-  
bia. Seu artigo, A identidade docente em tensão: uma hermenêutica da práxis educativa atual, propõe  
um modelo interpretativo denominado Triângulo Hermenêutico do Ser, do Dever-ser e da Práxis Do-  
cente. Por meio de entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise documental, o  
autor mostra como o professor oscila entre sua vocação profunda e as exigências burocráticas e ins-  
titucionais. O vértice do ser remete à identidade narrativa, às convicções pessoais e ao sentido que  
cada educador atribui ao seu ofício; o dever-ser representa o horizonte normativo, os padrões e as  
políticas que frequentemente operam de forma descontextualizada; e a práxis emerge como o espaço  
de mediação onde as duas dimensões se reconciliam. O estudo conclui que o ensino, longe de ser  
uma aplicação técnica, é um ato ético e político que exige formação contínua centrada no cuidado  
com o outro, na reflexão crítica e na construção coletiva de sentido.  
A inovação pedagógica ocupa um lugar central no terceiro artigo, de Miguel Chávez Marín, intitulado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em  
Bogotá. Este trabalho, inserido em um projeto de doutorado, examina as promessas e os obstáculos  
da incorporação de elementos lúdicos no ensino de matemática em escolas públicas. A partir de  
uma revisão sistemática da literatura e da análise de experiências locais, o autor evidencia um fosso  
persistente entre o discurso entusiasta da gamificação e sua implementação real na sala de aula. A  
falta de formação específica dos professores, as restrições curriculares, a escassa infraestrutura tec-  
nológica e a sobrecarga de trabalho configuram um cenário complexo que reduz a gamificação, em  
muitos casos, a uma mera "pontuação" (pontos, distintivos e tabelas de classificação) sem intencio-  
nalidade pedagógica profunda. Chávez Marín sustenta que, para que a gamificação transcenda o  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
nível da moda metodológica, é necessária uma transformação cultural nas escolas, acompanhada de  
políticas que invistam na formação contínua de professores, em recursos educacionais abertos e na  
pesquisa-ação participativa. Sua reflexão é um apelo para não confundir inovação com a simples  
adoção de ferramentas digitais.  
O quarto artigo nos transporta para a formação inicial de professores primários na República Domi-  
nicana e em Cuba. Romelia Colón Valdez, Clay Pérez Jiménez e Ángel Luis Gómez Cardoso propõem  
um treinamento integral para fortalecer a gestão pedagógica desde os primeiros anos da carreira  
docente. O desenho, validado por júri de especialistas por meio de oficinas de opinião crítica e cons-  
trução coletiva, estrutura-se em quatro etapas — diagnóstico, planejamento, implementação e ava-  
liação — que articulam de maneira sistêmica os componentes teóricos e práxicos. Uma das virtudes  
mais notáveis desta proposta é seu caráter flexível e contextualizado, que reconhece a diversidade  
das necessidades formativas e as realidades específicas de cada instituição. A avaliação não é conce-  
bida como um momento final, mas como um processo contínuo que permite ajustes permanentes e  
que favorece a autorreflexão nos futuros educadores. O artigo constitui uma contribuição concreta  
para as políticas de formação de professores na região, oferecendo uma ferramenta prática baseada  
em evidências e no diálogo com os próprios protagonistas do processo.  
Desde a Venezuela e Cuba, Omar Escalona Vivas e Víctor Bless Gutiérrez abordam um tema trans-  
versal ao ensino de ciências naturais: a experimentação no ensino médio e sua capacidade de de-  
senvolver habilidades científicas de ordem superior. Por meio de uma revisão sistemática com  
metodologia PRISMA, os autores analisam 250 estudos e extraem sete categorias temáticas, entre  
elas o andaimamento explícito, a resolução colaborativa de problemas, a cultura maker, a formação  
STEM/STEAM, a contextualização da aprendizagem e os espaços de intercâmbio reflexivo. Os resul-  
tados são esclarecedores: a experimentação por si só não garante o desenvolvimento do pensamento  
crítico, da argumentação ou da formulação de hipóteses. É necessária uma orientação pedagógica  
deliberada, bem como oportunidades para que os alunos concebam, construam e testem seus pró-  
prios experimentos, e um ambiente dialógico onde o erro se torne motor de aprendizagem. O estudo  
também alerta para as fraturas estruturais na América Latina — falta de laboratórios equipados, baixa  
conectividade, formação insuficiente de professores — que limitam o potencial das práticas experi-  
mentais. A conclusão é um apelo para repensar a didática das ciências em uma abordagem integra-  
dora que alie rigor epistêmico e sensibilidade social.  
18  
Encerra este número um artigo de Rosa María Medina Borges, "A pátria em José Martí: Cuba, Nossa  
América e o mundo", que oferece uma interpretação lúcida do pensamento marciano sobre a iden-  
tidade e a emancipação. A autora percorre, na obra do Apóstolo cubano, três momentos de síntese  
conceitual — A República Espanhola diante da Revolução Cubana (1873), Nossa América (1891) e a  
Revista Literária Dominicana (1895) — para mostrar como Martí constrói uma ideia de pátria que não  
é nem estritamente nacionalista nem abstratamente cosmopolita. A pátria é, para Martí, comunidade  
de interesses, unidade de tradições e, ao mesmo tempo, porção da humanidade que se vê mais pró-  
xima. A pesquisa desvenda a originalidade do pensador cubano ao subverter o instrumental termi-  
nológico de sua época (pátria, patriotismo, nação) a partir de uma postura descolonizada e  
profundamente humanista. Medina Borges destaca a atualidade desse pensamento para compreen-  
der os desafios atuais da integração latino-americana, da construção da cidadania e da educação  
para a liberdade. Seu artigo não é apenas um exercício de história das ideias, mas um convite a trazer  
a reflexão ética e política de volta ao centro do debate educacional.  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Em seguida, o conselho editorial incorpora um sétimo artigo que, por sua pertinência e qualidade,  
soma-se ao diálogo central deste número. Trata-se de "A voz docente na educação rural: acomoda-  
ção da fala e alfabetização como mediações da qualidade educativa", de Alba Lucía Barajas-Lizarazo  
e Adrián Filiberto Contreras-Colmenares. O estudo aborda uma das dívidas históricas dos sistemas  
educacionais latino-americanos: a educação rural. A partir de uma pesquisa documental e de campo  
com abordagem etnográfica, os autores examinam como os professores de territórios isolados inter-  
pretam e adaptam os referenciais de qualidade do Ministério da Educação Nacional da Colômbia  
(MEN) por meio de estratégias comunicativas ajustadas ao ambiente sociolinguístico. A teoria da aco-  
modação da fala e a abordagem sociocultural servem de marco para compreender que a capacidade  
do professor rural de adaptar sua linguagem e suas metodologias à realidade cultural de seus alunos  
não é um acréscimo opcional, mas a própria condição de possibilidade da aprendizagem significativa.  
Os resultados mostram que o discurso docente rural, longe de ser uma mera transmissão de con-  
teúdos, constitui um ato de justiça epistêmica: reconhece e valoriza os saberes locais, promove uma  
prática dialógica e tece-se com afetividade e sentimento de pertencimento. No entanto, os achados  
também revelam tensões importantes: a formação inicial dos professores é majoritariamente pensada  
para contextos urbanos, as escolas multisseriadas carecem de acompanhamento específico e as po-  
líticas de qualidade frequentemente operam de forma descontextualizada. O artigo conclui que a  
verdadeira mediação da qualidade educativa no meio rural não passa pela repetição de padrões uni-  
versais, mas pela capacidade do professor de "acomodar sua fala" — isto é, de construir pontes entre  
o currículo oficial e a vida cotidiana da comunidade. Trata-se de uma contribuição fundamental para  
repensar a formação de professores, as políticas curriculares e a pesquisa educacional com enfoque  
territorial.  
19  
Juntos, os sete trabalhos que compõem este número compartilham um fio condutor: a convicção de  
que a educação é um terreno fértil para a transformação, mas que essa transformação não ocorre  
nem automaticamente nem apenas por decreto. Ela exige sujeitos comprometidos — professores,  
formadores, pesquisadores — capazes de sustentar a tensão entre o que é e o que deveria ser, entre  
a norma e a consciência, entre a tradição e a inovação. Exige também políticas públicas que não se  
contentem com declarações grandiloquentes, mas que invistam sustentavelmente na formação de  
professores, em infraestrutura equitativa e no acompanhamento pedagógico. Exige, finalmente, uma  
comunidade acadêmica que dialogue com as salas de aula, que ouça os mestres e que coloque o  
conhecimento a serviço da justiça social.  
A revista expressa sua mais profunda gratidão aos autores pela qualidade e engajamento de suas  
contribuições, bem como aos avaliadores anônimos que, com seu trabalho rigoroso, garantiram o  
nível científico destas páginas. Convida os leitores a mergulharem em cada artigo com a certeza de  
que a pesquisa educacional não é um luxo reservado a poucas universidades, mas uma ferramenta  
indispensável para construir sociedades mais inclusivas, criativas e humanas. O próximo número con-  
tinuará explorando esses caminhos, na esperança de que a reflexão compartilhada continue ilumi-  
nando o caminho daqueles que, da sala de aula, do laboratório ou da cátedra, tornam possível o  
milagre cotidiano de educar.  
O Conselho Editorial  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Sumário  
Comité editorial........................................................................................................................................................7-9  
Indexações.............................................................................................................................................................11-15  
Artigos de pesquisa........................................................................................................... 23-143  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores.....................25-35  
Análisis a las políticas de bilingüismo en Colombia: Inmersión y formación docente  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
La identidad docente en tensión: una hermenéutica de la praxis educativa actual  
en Colombia.............................................................................................................................................................37-46  
La identidad docente en tensión: Una hermenéutica de la praxis educativa actual en Colombia  
Arnold Barreto Rodríguez  
Gamificação na matemática: uma mirada crítica às tensões entre inovação e prática de  
ensino em Bogotá................................................................................................................................................47-84  
Gamificación en matemáticas: Una mirada crítica a las tensiones entre innovación y práctica  
docente en Bogotá  
21  
Miguel Chávez Marín  
Formação inicial em estudantes da licenciatura em educação primária a partir da gestão  
pedagógica .................................................................................................................................................................................85-98  
Formación inicial en estudiantes de la licenciatura de educación primaria desde la gestión pedagógica  
Romelia Colón Valdez, Clay Pérez Jiménez e Ángel Luis Gómez Cardoso3  
Aexperimentaçãonoensinosecundário:comoformarhabilidadescientíficasdeordemsuperior?........................99-123  
La experimentación en secundaria: ¿cómo formar habilidades científicas de orden superior?  
Omar Escalona Vivas e Víctor Bless Gutiérrez  
A pátria em José Martí: Cuba, Nossa América e o mundo.............................................................125-139  
La patria en José Martí: Cuba, Nuestra América y el mundo  
Rosa María Medina Borge  
A voz docente na educação rural: acomodação da fala e alfabetização como mediações  
de qualidade educativa................................................................................................................................141-159  
La voz docente en la educación rural: acomodación del habla y alfabetización como  
mediaciones de calidad educativa  
Alba Lucía Barajas-Lizcano e Adrián Filiberto Contreras-Colmenares  
Política editorial da revista... .........................................................................160-161  
Procedimiento seguido na recepção, seleção e avaliação de originais............................162-163  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
22  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
23  
Artigos de pesquisa  
Artículos de investigación  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
https://doi.org/10.59654/jeadw356  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia:  
Imersão e formação de professores  
Análisis a las políticas de bilingüismo en Colombia:  
Inmersión y formación docente  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
Docente de Língua Estrangeira Inglês no Colegio Instituto Técnico Laureano Gómez, Bogotá DC  
– Colômbia  
Resumo  
Este artigo analisa a tensão atual entre os papéis real e ideal do docente na educação contemporânea, por meio de uma  
perspectiva hermenêutica que integra dimensões ontológicas, éticas e pedagógicas. O método empregado foi o herme-  
nêutico, apoiado em entrevistas semiestruturadas, observação participante reflexiva e análise documental. Os sujeitos  
foram docentes em atividade e formadores de docentes de instituições públicas colombianas. Os processos analíticos ar-  
ticularam-se em três etapas — pré-compreensão, interpretação e fusão de horizontes — que facilitaram a construção de  
categorias emergentes relacionadas à identidade docente, à ética profissional e à práxis pedagógica. Os resultados mos-  
tram que a identidade docente se constrói em um espaço de constante tensão frente às demandas normativas e à cons-  
ciência ética pessoal; a prática pedagógica é o espaço onde ambas as dimensões se reconciliam. Conclui-se que o ensino  
contemporâneo deve ser compreendido como uma práxis hermenêutica orientada à humanização da educação e ao  
fortalecimento ético da formação docente.  
25  
Palavras-chave: Bilinguismo, Colômbia, Ensino Superior, Imersão Linguística, Formação de Professores, Políticas Educacionais.  
Resumen  
Este artículo analiza la tensión actual entre los roles real e ideal del docente en la educación actual, a través de una  
perspectiva hermenéutica que integra dimensiones ontológicas, éticas y pedagógicas. El método empleado fue el  
hermenéutico apoyado en entrevistas semi-estructuradas, observación participante reflexiva y análisis documental.  
Los sujetos fueron docentes activos y formadores de docentes de instituciones públicas colombianas. Los procesos  
analíticos se articularon en tres etapas precomprensión, interpretación y fusión de horizontes que facilitaron la cons-  
trucción de categorías emergentes relacionadas con la identidad docente, la ética profesional y la praxis pedagógica.  
Los resultados muestran que la identidad docente se construye en un espacio de constante tensión frente a las de-  
mandas normativas y la conciencia ética personal; la práctica pedagógica es el espacio donde ambas dimensiones  
se reconcilian. Se concluye que la enseñanza contemporánea debe entenderse como una praxis hermenéutica orien-  
tada a la humanización de la educación y al fortalecimiento ético de la formación docente.  
Palabras clave: Bilingüismo, Colombia, Educación Superior, Inmersión Lingüística, Formación Docente, Políticas Educativas.  
Como citar este artigo (APA): Ulloa, P. L J. (2026). Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação  
de professores. Revista Digital de Investigación y Postgrado, 7(14), 25-35. https://doi.org/10.59654/jeadw356  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
Introdução  
O bilinguismo é entendido como a capacidade de se comunicar em duas línguas. Além disso, é uma  
competência vital no contexto da globalização e da economia do conhecimento (Fandiño et al., 2012).  
Na Colômbia, existem mais de sessenta línguas indígenas faladas em todo o território nacional, o  
que torna o país linguisticamente diverso. Essa realidade tem gerado a formulação e implementação  
de diversas políticas linguísticas com o objetivo de fortalecer o domínio de uma segunda língua, prin-  
cipalmente o inglês, em seus cidadãos. Assim, o congresso aprovou a Lei Geral de Educação de 1994,  
que reconhece o país como uma nação multilíngue e pluricultural.  
No entanto, existem programas mais recentes, como o Programa Nacional de Bilinguismo (PNB) e ‘Co-  
lômbia, Very Well’, nos quais o Governo Nacional tem procurado oferecer uma educação de acordo com  
as demandas de um mundo interconectado. Da mesma forma, as provas de estado realizadas pelo Ins-  
tituto Colombiano para a Avaliação da Educação (Icfes) em 2004 indicam que noventa e nove por cento  
dos estudantes selecionaram o inglês no exame de estado (Ministério de Educación Nacional, 2006).  
Entretanto, o desenvolvimento dessas políticas tem gerado debates e desafios significativos, espe-  
cialmente no âmbito da educação superior e da formação docente. A efetividade das estratégias pe-  
dagógicas, como a imersão linguística, e a preparação dos educadores para enfrentar os requisitos  
de um currículo bilíngue são aspectos que merecem uma análise crítica e reflexiva.  
Este artigo tem como objetivo analisar criticamente a evolução e o impacto das políticas de bilin-  
guismo na Colômbia, com ênfase na educação superior, na imersão linguística e na formação docente.  
Para tanto, identificam-se os marcos e as principais abordagens dessas políticas, avalia-se a efetividade  
da imersão linguística como estratégia pedagógica no contexto colombiano e analisa-se o papel e a  
preparação dos docentes na implementação de tais políticas. Por fim, geram-se recomendações para  
futuras políticas de bilinguismo no país.  
26  
A pergunta central que orienta esta reflexão é: Como evoluíram as políticas de bilinguismo na Co-  
lômbia e qual tem sido o seu impacto na educação superior, na imersão linguística e na formação  
docente? Por meio de uma revisão sistemática da literatura e de uma análise crítica dos documentos  
e programas governamentais, busca-se oferecer uma perspectiva integral sobre este tema de vital  
importância para o desenvolvimento educacional e social da Colômbia.  
Metodologia  
Na elaboração deste artigo, empregou-se uma metodologia de revisão sistemática da literatura, se-  
guindo os princípios da declaração PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and  
Meta-Analyses). Esta abordagem permitiu uma busca, seleção e análise rigorosa da bibliografia cien-  
tífica relevante, garantindo a transparência e replicabilidade do processo.  
Critérios de busca  
A busca bibliográfica foi realizada utilizando uma combinação de palavras-chave em espanhol e in-  
glês, que incluíram: “políticas de bilingüismo Colombia”, educación superior bilingüismo”, “inmersión  
lingüística Colombia”, “formación docente bilingüismo” e impacto bilingüismo educación”. Essas pa-  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores  
lavras-chave foram combinadas com operadores booleanos (AND, OR) para maximizar a recuperação  
de artigos pertinentes.  
Fontes de informação  
As bases de dados consultadas foram Scopus, Web of Science e Google Scholar. Priorizou-se a iden-  
tificação de artigos publicados em revistas das áreas de linguística, linguística aplicada, educação e  
bilinguismo, a fim de assegurar a qualidade e o impacto da literatura selecionada. A busca foi res-  
tringida a publicações realizadas nos últimos dez anos (2015-2025).  
Critérios de inclusão e exclusão  
Foram incluídos artigos de pesquisa originais, revisões sistemáticas, estudos de caso e artigos de re-  
flexão que abordassem as políticas de bilinguismo na Colômbia, sua implementação, impacto na  
educação superior ou na formação docente. Foram excluídas publicações anteriores a 2015, artigos  
não relacionados ao contexto colombiano, estudos de bilinguismo em âmbitos não educativos ou  
de políticas, e artigos de opinião sem respaldo empírico ou teórico sólido.  
Processo de seleção e extração de dados  
O processo de seleção foi realizado em duas fases, seguindo uma abordagem sistemática que pode  
ser representada por meio de um diagrama de fluxo PRISMA. Inicialmente, foram identificados um  
total de 120 artigos por meio das bases de dados Scopus, Web of Science e Google Scholar, utilizando  
as palavras-chave e filtros definidos.  
27  
Figura 1  
Diagrama de fluxo PRISMA  
Nota: A pesquisadora (2026).  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
Na fase de identificação, foram localizados 120 registros em bases de dados e 10 registros adicionais  
em outras fontes. Após eliminar 20 duplicados (por exemplo, não relacionados à Colômbia, fora da  
faixa de datas, ou não pertinentes ao tema), restaram 110 registros para avaliação. Isso resultou em  
150 artigos para revisão de texto completo.  
Na etapa de triagem, esses 110 registros foram revisados por título e resumo, excluindo-se 50 por  
não atenderem aos critérios de relevância, como falta de dados relevantes, metodologia inadequada  
ou não abordarem diretamente as políticas de bilinguismo na Colômbia, restando 60 textos completos  
para análise. Durante a elegibilidade, foram avaliados esses 60 textos completos, dos quais 23 foram  
excluídos por não se ajustarem aos critérios estabelecidos.  
Finalmente, 37 artigos atenderam a todos os critérios de inclusão e foram utilizados para a análise e  
a síntese deste artigo de reflexão. Os dados relevantes de cada artigo, como autores, ano de publi-  
cação, objetivos, metodologia, resultados e conclusões, foram extraídos e sintetizados para posterior  
análise.  
Análise de dados  
A análise das informações foi realizada de maneira qualitativa, identificando temas recorrentes, ten-  
dências, desafios e oportunidades na implementação das políticas de bilinguismo na Colômbia. Deu-  
se especial atenção à discussão sobre a efetividade da imersão linguística e o papel da formação  
docente, contrastando os achados com os documentos governamentais fornecidos e a literatura exis-  
tente.  
Resultados e discussão  
As políticas de bilinguismo na Colômbia experimentaram uma evolução significativa desde a década  
de 1990, impulsionadas pela crescente importância de uma segunda língua no contexto global. Ini-  
cialmente, a Ley General de Educación de 1994 estabeleceu as bases para o reconhecimento da nação  
como multilíngue e pluricultural, promovendo a etnoeducação bilíngue e intercultural, juntamente  
com o ensino de línguas estrangeiras. No entanto, o foco principal tem sido o inglês, buscando a in-  
serção do país na economia global e na comunicação universal (Ministerio de Educación Nacional,  
2006).  
28  
Marcos e abordagens das políticas de bilinguismo a partir de uma retrospectiva de-  
talhada  
Indubitavelmente, a trajetória política do bilinguismo na Colômbia reflete a evolução das prioridades  
nacionais e das influências globais. Na Constitución Política de 1991, estabelece-se no artigo 10 que  
o idioma oficial é o castelhano, mas “naquelas comunidades com tradições linguísticas próprias será  
bilíngue” (Asamblea Nacional Constituyente, 1991). Há uma razão fundamental para esse fim: a di-  
versidade étnica e cultural do país, daí a necessidade de respeitar e promover as línguas nativas. No  
entanto, o fenômeno da globalização e o aumento da interconexão econômica e cultural exerceram  
uma mudança de foco voltada ao domínio de línguas estrangeiras como o inglês (De Mejía, 2006).  
Precisamente, o órgão regulador dessas políticas educativas tem sido o Ministerio de Educación Na-  
cional, traçando o roteiro por meio de programas e documentos para o bilinguismo na Colômbia.  
Em 2004, lançou-se o PNB (Programa Nacional de Bilingüismo) como uma visão integral de longo  
prazo. Para esse fim, era necessária a formação dos docentes, mas também o acompanhamento dos  
processos de ensino e aprendizagem do inglês no país. O propósito proposto era a formação integral  
do estudante para ter cidadãos capazes de se comunicar em inglês (PNB, 2004; Díaz e Carmona,  
2010).  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores  
Por sua vez, em 2006, foram acrescentados os Estándares Básicos de Competencias en Lenguas Ex-  
tranjeras: inglés. Nesse documento, estabelecia-se como meta que os estudantes, ao terminarem o  
ensino médio, tivessem um nível intermediário B1 de inglês. Da mesma forma, os docentes, o nível  
intermediário-avançado B2. Os licenciados em idiomas recém-formados, um nível mínimo avançado  
C2 (MEN, 2006). Esses níveis eram comparáveis ao B1 e B2 do Quadro Europeu Comum de Referência  
para as Línguas (MCER -Marco Común Europeo de Referencia para las Lenguas). Nesse sentido, a  
abordagem central foi estabelecida sob um Currículo para la Excelencia Académica y la Formación  
Integral que exigia ir além da aquisição de estruturas linguísticas.  
O Programa para el Fortalecimiento de Lenguas Extranjeras (PFDCLE, 2010-2014) procurou o desen-  
volvimento de competências comunicativas em inglês em educadores e estudantes do sistema edu-  
cativo para favorecer a inserção do capital humano na economia do conhecimento. O propósito  
proposto foi complementar o trabalho de sala de aula para estudantes do ensino médio com o de-  
senvolvimento de um programa de inglês massivo (MEN, 2013). Nesse sentido, incluiu-se a avaliação  
de competências em inglês por meio das provas SABER nos 5º e 9º anos. Enquanto que no nível su-  
perior, promoveram-se as provas Saber Pro para que os estudantes prestes a se formar ou formados  
em programas profissionais universitários alcançassem o nível B1, ou seja, tarefas de leitura, gramática  
e léxico segundo o Marco Común Europeo (MEN, 2022).  
Do mesmo modo, o programa desenvolveu o acompanhamento nos processos de melhoria nas li-  
cenciaturas que formavam docentes para o ensino do inglês. Ao mesmo tempo, certificou-se a qua-  
lidade das instituições com programas de formação para o trabalho e o desenvolvimento humano  
orientados ao ensino do inglês. Igualmente, incluiu-se a tutoria para estudantes do ensino médio em  
um segundo idioma. Também se impulsionou o uso das novas tecnologias no ensino do inglês.  
29  
Outro acontecimento importante foi a promulgação da Lei 1651 no ano de 2013, também conhecida  
como Lei de Fortalecimento do Ensino de Inglês na Colômbia (Ley de Fortalecimiento de la Enseñanza  
del Inglés en Colombia). Esta lei veio a ser um complemento da Lei 115 de 1994. A norma jurídica orien-  
tou-se dentro da política pública educativa para melhorar a qualidade e competitividade dos cidadãos  
por meio do domínio do inglês como segunda língua. Esta lei se aplica a todos os níveis do sistema  
educativo colombiano, desde a pré-escola até a educação superior. Igualmente, estabelece programas  
de capacitação e atualização para que os professores possam ensinar inglês com qualidade, seguindo  
padrões internacionais como o Marco Común Europeo de Referencia para las Lenguas. Planteia também  
a avaliação das competências comunicativas em inglês mediante provas nacionais e internacionais.  
Outro acontecimento importante tem sido o Programa Nacional de Inglés (PNI) 2015-2025, conhecido  
pelo slogan “Colombia Very Well”, que é uma iniciativa do Ministerio de Educación Nacional para for-  
talecer a aprendizagem do inglês como língua estrangeira em todos os níveis do sistema educativo,  
a fim de que a Colômbia alcance padrões internacionais e se beneficie de maiores oportunidades  
em educação, emprego e mobilidade internacional (MEN, 2014).  
Impacto na educação superior e na imersão linguística  
Por imersão linguística entende-se uma abordagem pedagógica na qual uma segunda língua é uti-  
lizada como meio de instrução para ensinar conteúdo acadêmico, a fim de desenvolver a competência  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
linguística (Genesee, 1987). No entanto, Bostwick (s.f.) sustenta que essa nova língua não é apenas o  
meio de ensino, mas o objeto deste. Nesse sentido, na imersão, aproveita-se a língua estrangeira  
como uma ferramenta que permite a aprendizagem de outras disciplinas, surgindo assim um am-  
biente autêntico e significativo.  
Cabe destacar que o impacto dessas políticas na educação superior tem sido misto. Embora se tenha  
incentivado o ensino do inglês e a busca por níveis de competência mais altos (B1, B2 segundo o  
MCER), a efetividade da imersão linguística como estratégia pedagógica tem sido objeto de debate.  
A imersão, que busca maximizar a exposição do estudante à aprendizagem em uma segunda língua  
(L2) em contextos acadêmicos e cotidianos, tem demonstrado ser eficaz em outros contextos para  
desenvolver uma competência bilíngue aditiva (Cummins, 2000).  
No entanto, na Colômbia, a implementação de programas de imersão tem enfrentado desafios re-  
lacionados à disponibilidade de docentes qualificados, recursos adequados e à homogeneidade dos  
níveis de entrada dos estudantes. Assim como o fato de que nem todas as instituições cumprem os  
padrões exigidos por não contarem com os recursos necessários que favoreçam os processos de en-  
sino e aprendizagem para alcançar as competências comunicativas em inglês (García et al., 2018). Do  
mesmo modo, tem-se constatado que as crenças sobre a aprendizagem de uma língua estrangeira  
desempenham um papel significativo, especialmente na promoção do desenvolvimento da compe-  
tência comunicativa (Gómez, 2018). Cabe destacar que se originaram debates e críticas em torno  
desse posicionamento do inglês como idioma dominante a ser aprendido em todo o sistema edu-  
cativo e como ferramenta de competitividade internacional (Roux & Soler Millán, 2023).  
30  
Estudos recentes indicam que a meta de alcançar o bilinguismo na Colômbia para 2025 parece inal-  
cançável (Ramos et al., 2021). Outras pesquisas sustentam que no alcance da meta, esta não só con-  
tinua muito baixa, como também não se observa melhoria importante (Benavides, 2021). Mas qual é  
a razão pela qual se origina essa situação? Parece ser que uma das mais predominantes é que faltou  
continuidade na sua implementação, isso do ponto de vista estrutural. Mas no específico ou operativo,  
tem-se apontado que as debilidades estão no “número de horas e práticas metodológicas e de ava-  
liação que afetam os conteúdos do programa e o desempenho dos estudantes” (Jiménez et al., 2017).  
No entanto, há quem considere que existem poucas oportunidades para os docentes por parte do  
MEN (Bastidas e Muñoz, 2015). Igualmente, o nível dos estudantes ao finalizar seus estudos univer-  
sitários não tem apresentado melhora significativa durante os últimos anos (Benavides, 2021).  
Por outra parte, é de mencionar que a Colômbia se encontra nos últimos lugares em relação ao bi-  
linguismo, ocupando a posição 74 entre 116 países e, a nível latino-americano, situa-se em 17º de 21  
(EF English Proficiency Index, 2025). Além disso, 43% dos docentes da Colômbia estão capacitados  
em inglês e apenas 5% dos alunos do décimo primeiro ano (Milanés, 2025). As provas do Icfes indicam  
níveis baixos em inglês, e isso se deve a processos formativos e culturais que não lograram um nível  
ótimo nos estudantes, estando a maioria no nível básico (A1) (Amaya e Osorio, 2021).  
Por sua vez, Estrada et al. (2015) e Sánchez et al. (2016) assinalam que há limitação e falta de qualidade docente,  
o que reclama o desenvolvimento de cenários formativos que favoreçam a aprendizagem bilíngue nos estu-  
dantes. Da mesma forma, tem-se constatado que as crenças dos participantes acerca da aprendizagem de  
uma língua se relacionam com o impacto na motivação e no rendimento acadêmico (Sierra et al., 2024).  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores  
Também no estrutural, a literatura sugere que a aquisição de uma língua estrangeira depende da ex-  
posição a situações comunicativas nas quais os estudantes possam compreender a mensagem,  
mesmo sem dominar completamente a estrutura linguística (Krashen, 1982). Isso implica que um am-  
biente de imersão efetivo deve proporcionar oportunidades reais para a interação no idioma, o que  
nem sempre se consegue no sistema educativo colombiano devido a fatores como o tamanho dos  
grupos, a falta de autenticidade nos materiais e a limitada exposição fora da sala de aula.  
O papel da formação docente  
A autora do presente artigo coincide com o expressado por Vergara e Gómez (2020) de que para  
ensinar uma língua, seja a originária ou estrangeira, o docente deve ter formação linguística e didática.  
Esses elementos são fundamentais porque o bilinguismo é uma ponte entre língua e identidade. No  
entanto, na aprendizagem bilíngue melhora-se não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas tam-  
bém a autoestima (Gupa, 2019).  
Para lograr os fins assinalados anteriormente, requer-se a formação do docente. Galindo e Moreno  
(2019) afirmam que na Colômbia têm-se realizado eventos acadêmicos duas vezes ao ano, como  
conferências regionais, nacionais e internacionais para o desenvolvimento da língua estrangeira, mas  
também existem programas de atualização na língua estrangeira desenvolvidos por instituições. Do  
mesmo modo, tem-se realizado a certificação do nível de língua.  
Nesse sentido, “o Ministerio de Educación Nacional de Colombia, na busca pela melhoria da qualidade  
da educação nacional, tem apostado na formação continuada dos docentes” (Osorio, 2016, p. 47).  
Depreende-se do exposto que na Colômbia existe uma carência de docentes em inglês, e não se  
consegue cobrir toda a população estudantil, o que torna necessário considerar a formação inicial e  
permanente do professorado. A formação do professorado é definida como “uma aprendizagem  
constante, aproximando-a ao desenvolvimento de atividades profissionais e à prática profissional e a  
partir dela” (Imbernón, 2007, p. 11). Essa formação do professorado tem implícita a formação contínua  
porque o docente é “um profissional capaz de dominar sua própria evolução, construindo compe-  
tências e saberes novos a partir do que adquiriu e de sua própria experiência” (Perrenoud, 2007, p.  
23).  
31  
Dessa maneira, o Ministerio de Educación Nacional como ente regulador das políticas educativas do  
governo colombiano propôs uma grande meta de Colombia Bilingüe e, por isso, a formação docente  
é uma maneira de sensibilizar e conscientizar os professores de inglês acerca de sua responsabilidade  
e do compromisso que têm perante o Estado e o país na formação das novas gerações; razão pela  
qual devem se formar e alcançar os níveis de proficiência em inglês. É por isso que, como afirmam  
Vaillant e Marcelo (2015), na formação, tanto a capacidade quanto a vontade de cada pessoa são  
elementos-chave nos processos formativos.  
Segundo os documentos oficiais do MEN, na Colômbia têm-se realizado diversos esforços para for-  
talecer o ensino do inglês. Um dos principais objetivos propostos é lograr que “100% dos docentes  
de inglês estejam no nível B2” (Colômbia, MEN, 2012). Para avançar em direção a essa meta, o Mi-  
nisterio estabeleceu, em aliança com uma entidade formadora, a chamada “Estrategia de formación  
en inglés en esquema de cascada”, a qual busca capacitar e beneficiar um grupo de 3.000 docentes  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
em todo o país, promovendo assim uma melhora significativa em suas competências linguísticas e  
na qualidade da educação que oferecem aos estudantes.  
Conclusões  
As políticas de bilinguismo na Colômbia demonstraram uma clara intenção de posicionar o país em  
um contexto globalizado, priorizando a aprendizagem do inglês como segunda língua. No entanto,  
a análise crítica da sua evolução e impacto revela uma lacuna entre os objetivos propostos e os re-  
sultados alcançados, especialmente na educação superior e no que diz respeito à formação docente.  
A imersão linguística, embora reconhecida como uma estratégia pedagógica efetiva, encontrou limi-  
tações na sua aplicação devido à falta de recursos, à heterogeneidade dos níveis dos estudantes e,  
fundamentalmente, à insuficiente preparação dos docentes. O sucesso dessas políticas não pode de-  
pender unicamente da promulgação de leis e programas, mas requer um investimento substancial e  
sustentado no desenvolvimento profissional dos educadores. É imperativo que a formação docente  
transcenda o mero domínio do idioma e se concentre em metodologias de ensino de segundas lín-  
guas, incluindo a pedagogia da imersão, a avaliação e a adaptação curricular.  
Para futuras políticas de bilinguismo na Colômbia, recomenda-se: (a) Fortalecer a formação inicial  
e contínua dos docentes em didática de segundas línguas e bilinguismo, assegurando que adquiram  
não apenas competência linguística, mas também pedagógica. (b) Desenvolver programas de imer-  
são linguística contextualizados à realidade colombiana, considerando as particularidades de cada  
região e nível educativo. (c) Fomentar a pesquisa sobre a efetividade das diferentes estratégias de  
ensino de segundas línguas no contexto colombiano. (d) Estabelecer mecanismos de avaliação e  
acompanhamento rigorosos que permitam ajustar as políticas em função dos resultados e das ne-  
cessidades do sistema educativo. (e) Promover uma visão mais inclusiva do bilinguismo, que valorize  
e fortaleça também as línguas indígenas e crioulas do país, em linha com seu caráter multilíngue e  
pluricultural.  
32  
Privacidade: Não aplica.  
Declaração sobre o uso de inteligência artificial: O autor do presente artigo declara que não  
empregou Inteligência Artificial na sua elaboração.  
Referências  
Amaya, G. I. A. e Ososrio, A. V. M. (2021). El bilingüismo en Colombia: tendencias motivacionales y  
sus consecuencias sociales. pp. 29-45. En Ramos, A. L. Izquierdo, A. A. S. (2021). La investigación  
formativa y su incidencia en la educación superior. Tomo II. REDIPE Red Iberoamericana de Peda-  
gogía. https://www.englishatuniversity.com/files/Libro-Investigacion-REDIPE-UCEVA-2021.pdf  
Asamblea Nacional Constituyente. (1991). Constitución Política de la República de Colombia.  
https://www.funcionpublica.gov.co/eva/gestornormativo/norma.php?i=4125  
Bastidas, A. J. A. e Muñoz, I. G. (2015). Fundamentos para el desarrollo profesional de los profesores de  
inglés. (2nd ed). Editorial Universidad de Nariño.  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores  
Benavides, J. E. (2021). Level of English in Colombian Higher Education: A Decade of Stagnation. Profile: Is-  
sues in Teachers' Professional Development, 23(1), 57–73. https://doi.org/10.15446/profile.v23n1.83135  
Bernal, S. E. C., Coronado, R. C. C., Morello, V. M. M. & Tiuso, H. A. J. (2025). Perceptions and beliefs  
about english learning in the community outreach unit of a colombian university. Colombian Applied  
Linguistic Journal, 27(1), 1-16. https://revistas.udistrital.edu.co/index.php/calj/article/view/20113/20834  
Bostwick, M. (s.f). Immersion Education & Bilingualism. https://www.google.com/url?sa=t&rct=  
j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwii3Napq9iOAxVfmIQIHcffK1EQ  
FnoECD8QAQ&url=http%3A%2F%2Fbi-lingual.com%2Fabout_us_0151.php&usg=AOvVaw1eu4V  
W08BJHGJ-H0NS1m9d&opi=89978449  
Colombia, Ministerio de Educación Nacional (men). (2012). Estrategia de formación en inglés en es-  
quema de cascada. https://www.mineducacion.gov.co/1759/w3-article-314395.html?_noredirect=1  
Cummins, J. (2000). Language, power, and pedagogy: Bilingual children in the crossfire. Multilingual Matters.  
De Mejía, A. M. (2006). Bilingual education in Colombia: Towards a reconceptualization. International  
Journal of Bilingual Education and Bilingualism, 9(3), 349-365. https://doi.org/10.2167/beb368.0  
Díaz, M. A. E. e Carmona, A. N. C. (2010). Representaciones de los docentes de inglés. sobre el proceso de for-  
mación integral: ¿qué descripción ofrecen de ella? Íkala. Revista de lenguaje y cultura, 15(1), pp.173-203.  
33  
EF English Proficiency Index (2025). Índice de dominio del inglés de EF. https://www-ef-  
com.translate.goog/wwen/epi/regions/latinamerica/colombia/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=es&_x_tr_hl=e  
s&_x_tr_pto=sc  
Estrada, V. J., Mejía, M. J. e Rey Velásquez, J. (2015). Bilingüismo en Colombia: Economía y sociedad.  
Dimensiones del desarrollo económico, 5(2), 50-58. https://journal.universidadean.edu.co/index.  
php/plou/article/view/1491  
Fandiño, P. Y. J., Bermúdez, J. J. R. e Lugo, V. V. E. (2012). Retos del Programa Nacional de Bilingüismo. Colombia  
Bilingüe. Educación y Educadores, 15(3), 363-381. https://www.redalyc.org/pdf/834/83428627002.pdf  
Galindo, A. e Moreno, L M. (2019). Educación bilingüe (español-inglés) en tres instituciones educativas  
públicas del Quindío, Colombia: estudio de caso. Len, 47(2), http://www.scielo.org.co/scielo.php?  
script=sci_arttext&pid=S0120-34792019000300648  
García, M., Dussan, V. e Jaime, M. (2018). Una reflexión sobre el ejercicio de la investigación en el área  
de la enseñanza del inglés a estudiantes pertenecientes a población vulnerable en Neiva. Revista  
Erasmus Semilleros de investigación, 2(1), 38-48. https://journalusco.edu.co/index.php/erasmus/ar-  
ticle/view/2418/3617  
Genesee, F. (1987). earning Through Two Languages: Studies of immersion and bilingual education. Newbury  
House.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Lady Johanna Ulloa Poveda  
Gómez, J. (2018). Diferencias en las creencias entre hombres y mujeres acerca del aprendizaje del  
idioma  
inglés.  
Revista  
signos.  
Estudios  
de  
lingüística,  
51(97),  
193-213.  
https://dx.doi.org/10.4067/S0718-09342018000200193  
Gupa, A. (2019). Principles and Practices of Teaching English Language Learners. International Educa-  
tion Studies, 12(2), 49-57. https://doi.org/10.5539/ies.v12n7p49  
Imbernón, F. (2007). Diversas orientaciones conceptuales en la formación del profesorado. En La for-  
mación y el desarrollo profesional del profesorado. Hacia una nueva cultura profesional. 7a ed. Graó.  
Jiménez, M., Rodríguez, C., & Rey, P. L. (2017). Standardized test results: An opportunity for English  
program improvement. How, 24(2), 121-140. https://doi.org/10.19183/how.24.2.335  
Krashen, S. D. (1982). Principles and practice in second language acquisition. Pergamon Press.  
Ley de Fortalecimiento de la Enseñanza del Inglés. (2013).  
Milanés, A, L. M. (2023). La Inmersión Lingüística: una estrategia fundamental para el aprendizaje del  
inglés como lengua extranjera en estudiantes de básica secundaria del plantel educativo: Nuestra  
Señora del Carmen de Bogotá. Trabajo de grado presentado como requisito para optar al título  
de Magíster en Educación. Fundación Universitaria Los Libertadores. https://repository.libertado-  
res.edu.co/server/api/core/bitstreams/7f59d6ef-1713-499e-a2ea-90bb62c5da4b/content  
34  
Ministerio de Educación Nacional (2014). Programa Nacional de Inglés (PNI) 2015-2025.  
https://www.academia.edu/32878359/PROGRAMA_NACIONAL_DE_INGLÉS_2015_2025  
Ministerio de Educación Nacional. (2006). Estándares Básicos de Competencias en Lenguas Extranjeras:  
inglés. Formar en lenguas extranjeras: Inglés! El reto! https://www.mineducacion.gov.co/1780/arti-  
cles-115174_archivo_pdf.pdf  
Ministerio de Educación Nacional. (2013). Programa para el Fortalecimiento de Lenguas Extranjeras  
(PFDCLE) 2010-2014.  
Ministerio de Educación Nacional. (2022). Examen Saber Pro Icfes. https://www.icfes.gov.co/wp-con-  
tent/uploads/2024/11/Infografia_Ingles_Saber_Pro_2022.pdf  
Osorio, A. M. (2016). El desarrollo profesional docente en educación básica primaria. Revista Latinoa-  
mericana de Estudio Educativos, 12(1), 39-52. https://revistasojs.ucaldas.edu.co/index.php/latinoa-  
mericana/article/view/4036/3744  
Perrenout, Ph. (2007). Desarrollar la práctica reflexiva en el oficio de enseñar. Profesionalización y razón  
pedagógica. Graó.  
Ramos, P. C., Gamoa, M. M. C. e Morales, B. M. (2021). El Ministerio de Educación lanzó el proyecto  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Análise das políticas de bilinguismo na Colômbia: Imersão e formação de professores  
Colombia, la mejor educada en el 2025. EducaT: Educación Virtual, Innovación y Tecnologías, 2(2),  
53-64. https://doi.org/10.22490/27452115.5308  
Roux, G. & Soler Millán G. C. (2023). Unilingualism and unibilingualism in Colombia. Applied Lin-  
guistics, 45(2), 348–363. https://doi.org/10.1093/applin/amad030  
Sánchez, V. G., Gómez, C. C. A., Ortiz, P. D., Clavijo, G. T. A. e Váquiro, R. L. P. (2016). Percepción Social  
Importancia del inglés e Inclusión de Videojuegos como herramienta de aprendizaje. Amazonia  
Investiga, 5(8), 58-66. http://www.udla.edu.co/revistas/index.php/amazonia -investiga  
Vaillant, D. e Marcelo, C. (2015). El abc y d de la formación docente. Narcea.  
Vergara, F. M. e Gómez, P. S. (2020). Formación de docente bilingües. Revista Paradigmas Socio-Hu-  
manísticos, 2(1), 54-67. https://doi.org/10.26752/revistaparadigmassh.v1i2.471  
35  
Data de receção do artigo: 7 de março de 2026  
Data de aceitação do artigo: 6 de abril de 2026  
Data de aprovação para diagramação: 10 de abril de 2026  
Data de publicação: 30 de junho de 2026  
Nota sobre o autor  
* Lady Johanna Ulloa Poveda é Candidata a Doutora em Educação, Universidad Antonio Nariño, Bogotá. Proficiency cum  
professional development course for teachers from Colombia (Hyderabad), English and Foreign Languages University:  
Hyderabad, Telangana. Mestra em Didática das Ciências (Cundinamarca), Universidad Autónoma de Colombia. Espe-  
cialista em Docência Universitária (Cundinamarca), Universidad Cooperativa de Colombia. Especialista em Educação e  
Orientação Familiar (Cundinamarca), Fundación Universitaria Monserrat. Licenciatura em Espanhol e Línguas, Universidad  
Nacional de Colombia. Docente de Língua Estrangeira Inglês no Colegio Instituto Técnico Laureano Gómez, Bogotá,  
Bogotá D.C. – Colômbia. E-mail de contato: Ladyz12@hotmail.com  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
https://doi.org/10.59654/hexxxj89  
A identidade docente em tensão: uma  
hermenêutica da práxis educativa atual na Colômbia  
La identidad docente en tensión: una hermenéutica de la praxis  
educativa actual en Colombia  
Arnold Barreto Rodríguez  
Institución Educativa Departamental Real del Obispo, Tenerife, Departamento Magdalena / Colom-  
bia  
Resumo  
Este artigo analisa a tensão atual entre os papéis real e ideal do docente na educação contemporânea, por meio  
de uma perspectiva hermenêutica que integra dimensões ontológicas, éticas e pedagógicas. O método empregado  
foi o hermenêutico, apoiado em entrevistas semiestruturadas, observação participante reflexiva e análise documental.  
Os sujeitos foram docentes em atividade e formadores de docentes de instituições públicas colombianas. Os pro-  
cessos analíticos articularam-se em três etapas —pré-compreensão, interpretação e fusão de horizontes— que fa-  
cilitaram a construção de categorias emergentes relacionadas à identidade docente, à ética profissional e à práxis  
pedagógica. Os resultados mostram que a identidade docente se constrói em um espaço de constante tensão frente  
às demandas normativas e à consciência ética pessoal; a prática pedagógica é o espaço onde ambas as dimensões  
se reconciliam. Conclui-se que o ensino contemporâneo deve ser compreendido como uma práxis hermenêutica  
orientada à humanização da educação e ao fortalecimento ético da formação docente.  
37  
Palavras-chave: Hermenêutica, atitudes do docente, professores, ética, práticas educativas.  
Resumen  
Este artículo analiza la tensión actual entre los roles real e ideal del docente en la educación actual, a través de una  
perspectiva hermenéutica que integra dimensiones ontológicas, éticas y pedagógicas. El método empleado fue el  
hermenéutico apoyado en entrevistas semi-estructuradas, observación participante reflexiva y análisis documental.  
Los sujetos fueron docentes activos y formadores de docentes de instituciones públicas colombianas. Los procesos  
analíticos se articularon en tres etapas precomprensión, interpretación y fusión de horizontes que facilitaron la cons-  
trucción de categorías emergentes relacionadas con la identidad docente, la ética profesional y la praxis pedagógica.  
Los resultados muestran que la identidad docente se construye en un espacio de constante tensión frente a las de-  
mandas normativas y la conciencia ética personal; la práctica pedagógica es el espacio donde ambas dimensiones  
se reconcilian. Se concluye que la enseñanza contemporánea debe entenderse como una praxis hermenéutica orien-  
tada a la humanización de la educación y al fortalecimiento ético de la formación docente.  
Palabras clave: Hermenéutica, actitudes del docente, profesores, ética, prácticas educativa.  
Como citar este artigo (APA): Barreto, R. A. (2026). A identidade docente em tensão: uma hermenêutica da práxis edu-  
cativa atual na Colômbia. Revista Digital de Investigación y Postgrado, 7(14), 37-46. https://doi.org/10.59654/hexxxj89  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Arnold Barreto Rodríguez  
Introdução  
Nas últimas décadas, as mudanças sociais, culturais, tecnológicas e políticas que afetam os sistemas  
educativos contemporâneos produziram uma transformação na prática da profissão docente. Nesse  
sentido, a prática do ensino deve manter-se numa tensão entre o ser e o dever-ser do educador, que  
se refere à distância existente na profissão, em termos de experiência, vocação e consciência ética, e  
à assunção das exigências normativas, administrativas e técnicas derivadas das políticas educativas e  
dos modelos de gestão escolar (Tenti, 2005). A distância existente nas diferentes dimensões que cons-  
tituem a profissão docente não é um problema individual; na melhor das hipóteses, é um problema  
coletivo e estrutural da pedagogia, da prática docente e da ética da educação.  
No âmbito ibero-americano, numerosos estudos consideram que a identidade docente não é uma  
condição estática ou um atributo que se adquire de forma definitiva na formação inicial. Pelo contrário,  
apresenta-se como um constructo dinâmico, histórico e relacional, que se conforma na intersecção  
do sujeito, do contexto institucional e da prática pedagógica (García, 2022). Dessa perspectiva, a  
identidade docente é um processo que se entende como a interpretação, contínua e ao longo do  
ciclo vital, de uma série de elementos autobiográficos, valores, saberes, demandas intersubjetivas e  
intrasubjetivas, e sociais. Nesse sentido, o crescente ênfase normativo e prescritivo do dever-ser cons-  
titui-se como um horizonte regulativo que impacta a prática pedagógica. No entanto, com frequência,  
opera descontextualizado e afastado das realidades da sala de aula e da subjetividade do educador  
(García, 2024).  
O fosso entre o que é e o que deveria ser trouxe à superfície algumas tensões éticas relevantes na  
prática docente, especialmente quando as demandas institucionais favorecem a prestação de contas,  
a padronização curricular e o controlo administrativo, em detrimento de processos educativos mais  
formativos, reflexivos e humanos (De la Hoz Cantillo, 2023; Flores et al., 2022). Neste contexto, o en-  
sino corre o risco de ser reduzido a uma função puramente técnica e instrumental, desprovida das  
suas dimensões éticas, políticas e ontológicas. Neste sentido, e de acordo com Freire (2019), a prática  
pedagógica deve ser vista como um ato não neutro e situacional que exige um posicionamento ético  
e político em relação ao mundo, ao conhecimento e ao outro.  
38  
Dessa ótica, a identidade e a práxis do docente devem ser analisadas a partir de uma perspetiva que  
transcenda as abordagens tecnicistas ou positivistas. A hermenêutica filosófica, na tradição de Gadamer  
(2018) e Ricoeur (2018), constitui um quadro que, ao definir a compreensão como um processo situado,  
interpretativo e medido em termos de linguagem, historicidade e experiência, se mostra apropriado.  
Dessa forma, a prática pedagógica é uma prática interpretativa posicional em que o docente ressignifica  
o seu papel, responsabilidades e decisões éticas no e para o contexto educativo e social.  
A responsabilidade de um educador centra-se na ética quando se considera que educar é relacionar-  
se com o outro. Para Levinas (2019) e a ética da alteridade, o ato educativo é um compromisso com  
o rosto do outro, um compromisso que convoca uma resposta por parte do educador. Portanto, é um  
ato que requer dele/dela cuidado, reconhecimento e compromisso. Tal compreensão ecoa em Morin  
(2020), quando diz que a educação deve orientar-se para o desenvolvimento integral da pessoa hu-  
mana, de maneira complexa e inseparável, construindo conhecimento, ética e afetividade. Por conse-  
guinte, é a prática docente o lugar de convergência da identidade pessoal, da ética e da pedagogia.  
Este artigo tem como objetivo analisar a tensão atual entre os papéis real e ideal do docente na edu-  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
A identidade docente em tensão: Uma hermenêutica da práxis educacional atual na Colômbia  
cação contemporânea, através de uma perspetiva hermenêutica que integra dimensões ontológicas,  
éticas e pedagógicas. A intenção é realizar uma investigação compreensiva da alteridade docente,  
da experiência profissional dos educadores, bem como da ética, da ontologia e da pedagogia que  
dessas práticas emergem.  
O desenho da investigação foi desenvolvido sob uma abordagem hermenêutica qualitativa, utilizando  
entrevistas semiestruturadas, bem como a observação reflexiva, a participação e a análise documental.  
A investigação foi realizada na educação pública na Colômbia e incluiu educadores em exercício e  
formadores de educadores. A análise foi dividida em três fases correspondentes à pré-compreensão,  
interpretação e fusão dos horizontes, em relação com o círculo hermenêutico de Gadamer (2018).  
Razão pela qual se facilitou a emergência de categorias interpretativas na identidade docente, na  
ética profissional e na práxis pedagógica.  
Como resultado, o estudo propõe o modelo denominado Triângulo Hermenêutico do Ser, do Dever-  
ser e da Prática Docente, que oferece a possibilidade de compreender a docência como uma práxis  
na qual se integram identidades, ética e ação pedagógica de maneira dialeticamente articulada. Esta  
contribuição para a reflexão em torno da formação e do exercício da docência busca precisamente  
restabelecer a perspetiva humanista e ética que deve acompanhar a educação, na medida em que  
enfrenta os desafios que a educação atual acarreta.  
Metodologia  
A investigação foi realizada a partir de uma abordagem qualitativa de tipo hermenêutico, dirigida à  
compreensão dos significados éticos, ontológicos e pedagógicos que configuram o ser e o dever-ser  
do educador dentro do cenário educativo contemporâneo. Esta abordagem baseia-se no pressuposto  
de que a realidade educativa não pode ser reduzida a factos observáveis e mensuráveis de maneira  
objetiva, mas deve ser entendida e interpretada a partir das experiências, narrativas e compreensões  
que os docentes construíram a respeito da sua prática profissional. Em linha com a hermenêutica filo-  
sófica, a compreensão foi tomada como um processo interpretativo situado, histórico e relacional no  
qual ocorre uma fusão de horizontes entre o investigador e o fenómeno educativo (Gadamer, 2018).  
39  
O estudo foi realizado com docentes em atividade e formadores de docentes afiliados a instituições  
públicas de educação básica, secundária e superior na Colômbia. Os participantes foram selecionados  
através de amostragem intencional, priorizando critérios como formação profissional, experiência do-  
cente e disposição reflexiva em relação à prática educativa, conforme propõe Patton (2015). Os parti-  
cipantes foram vistos como sujeitos hermenêuticos, considerando-os como agentes que podiam  
construir interpretações significativas da sua prática docente, e apreciados desde a sua experiência  
ética, profissional e pessoal.  
As entrevistas e a análise documental são acompanhadas de observação participante reflexiva. A ten-  
são entre a identidade profissional dos docentes e as expectativas institucionais foi abordada com as  
entrevistas. A práxis docente foi acompanhada e compreendida a partir da observação participante  
reflexiva, na proposta didática, nas decisões de formação e nos dilemas éticos que se apresentam no  
exercício quotidiano da docência. A análise de documentos centra-se nas políticas educativas, nos có-  
digos de ética profissional, nos programas de formação docente e na literatura académica, para situar  
as narrativas dos participantes dentro de contextos mais amplos, institucionais e normativos.  
A pré-compreensão, a interpretação e a fusão de horizontes são as etapas da prática de processa-  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Arnold Barreto Rodríguez  
mento da informação, baseada no círculo hermenêutico de Gadamer (2018). Na pré-compreensão, o  
investigador identifica as hipóteses e as posições, neste caso, do investigador, em direção ao fenómeno  
que se estuda. Em seguida, na fase interpretativa, realizam-se leituras analíticas e leituras de diálogo  
nas narrativas e documentos que permitem a construção de sentido e a descoberta de categorias re-  
lacionadas com a identidade do professor, a ética e a prática docente.  
Ao longo da investigação, o investigador executou uma prática de reflexividade, ao sistematizar, num  
diário, as perceções, intuições e os dilemas éticos que lhe surgem ao interpretar a informação. Esta prática  
é considerada um exercício de transparência epistemológica, que reconhece o papel do investigador ao  
executar a interpretação dos dados. Neste sentido, o investigador considera a objetividade da investigação  
não como uma postura neutra, mas como uma prática de autodocumentação do papel reflexivo e de  
monitor que o investigador tem sobre as interpretações que realiza, bem como a sua perspetiva crítica.  
Os aspetos éticos do estudo foram ajustados às regulamentações da American Educational Research  
Association (AERA, 2020) no que diz respeito ao consentimento informado, à proteção da identidade  
e ao direito de não participação dos docentes. Adicionalmente, a investigação centrou-se na ética do  
encontro de Levinas (2019), que considera a vinculação com os participantes da investigação como  
uma responsabilidade. Esta responsabilidade refere-se ao respeito e ao reconhecimento da dignidade  
da voz dos participantes como sujeitos éticos e reflexivos.  
Resultados e discussão  
A análise hermenêutica das narrativas docentes e dos documentos institucionais permitiu compreender  
o ser e o devir do educador no quadro da sua inserção em realidades educativas concretas. A partir  
do processo de interpretação — desenvolvido nas fases de pré-compreensão, interpretação e fusão  
de horizontes — emergiram três categorias interpretativas que estruturam o núcleo do pensamento  
docente no contexto atual: (a) a autocompreensão ontológica do docente; (b) a tensão ética entre o  
chamamento vocacional e a regulação institucional; e (c) a práxis pedagógica como espaço de me-  
diação e reconciliação. Estas categorias articularam-se num modelo interpretativo proposto neste es-  
tudo, denominado Triângulo Hermenêutico do Ser, do Dever-ser e da Prática Docente.  
40  
Figura 1  
O triângulo hermenêutico do ser, do dever-ser e da prática docente  
Nota: Elaboração própria (2026).  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
A identidade docente em tensão: Uma hermenêutica da práxis educacional atual na Colômbia  
Categoria: O ser docente (identidade, vocação e autocompreensão)  
Na figura 1 observa-se o Triângulo Hermenêutico do Ser, do Dever-ser e da Prática Docente, como  
um modelo interpretativo que sintetiza as tensões constitutivas da identidade profissional docente  
no contexto atual. Este modelo elabora-se a partir da análise hermenêutica das narrações das do-  
centes e, por isso, explica-se que a identidade não se conforma como uma categoria estática, ou  
como um resultado, mas configura-se como um processo dinâmico de mediação onde a dimensão  
ontológica do ser docente, as exigências normativas do dever-ser, e a prática educativa se sobrepõem  
e atualizam.  
O vértice do ser docente refere-se à dimensão ontológica e vocacional do exercício profissional, as-  
sociada à autocompreensão, às convicções éticas, à responsabilidade e ao sentido que a docente  
atribui ao seu trabalho. Esta dimensão, como assinala Ricoeur (2006) ao falar de uma identidade na-  
rrativa, vai-se construindo e reconfigurando ao longo da trajetória profissional, no diálogo com as  
narrações e as vivências. Desta maneira, o ser docente não é desempenhar um papel funcional, mas  
é também um modo de estar no mundo educativo.  
No outro vértice do triângulo está o dever de ensinar, que abrange todos os guias de instrução, as  
políticas de ensino, os marcos curriculares e as expectativas institucionais que estabelecem parâmetros  
para a prática profissional dos docentes. Esta dimensão tenta proporcionar, pelo menos, algum nível  
de racionalidade que, no entanto, é hostil à autonomia educativa e à singularidade dos contextos  
escolares. Como assinala Hargreaves (2003), a carga de trabalho cada vez maior dos docentes e a  
padronização do ensino conduzem ao que se conhece como simplificação. Isto é especialmente ver-  
dade quando o 'dever' se impõe de maneira acrítica sem ter em conta a experiência e o juízo profis-  
sional do docente.  
41  
A prática docente, posicionada no terceiro vértice, é esse espaço onde 'ser' e 'fazer' se localizam,  
confrontam e ressignificam em relação entre si. Desde a perspetiva da hermenêutica filosófica, a prá-  
tica é mais do que uma execução mecânica. É uma ação interpretativa que requer certo trabalho in-  
telectual, e é uma ação que comporta uma responsabilidade e tomada de decisões éticas em  
situações particulares (Gadamer, 2018). É na prática onde o docente equilibra as necessidades regu-  
lativas e as reais dos estudantes, e é aqui onde emergem as ações pedagógicas de maneira situada,  
que não necessariamente se conformam aos éditos institucionais.  
Deve-se esclarecer que, dentro deste modelo, a configuração triangular não significa que cada di-  
mensão funcione de maneira isolada. Em vez disso, a tensão que descreve cada dimensão é funda-  
mental na construção da identidade educativa e reforça o conflito do 'é' e 'deve ser' como uma  
condição estrutural da profissão docente. Desde a perspetiva da ética da alteridade, esta tensão  
agrava-se na relação com o outro – o estudante – cuja própria presença convoca o docente a res-  
ponder, para além da norma, de maneira responsável e contextualizada (Levinas, 2019).  
A Figura 1 não pretende oferecer um quadro explicativo fechado, mas uma disposição interpretativa  
que permite entrever algumas das facetas complexas que configuram a identidade docente no con-  
texto contemporâneo. Neste sentido, a prática educativa percebe-se como um espaço de mediação  
ética e pedagógica no qual a identidade profissional se constrói e negocia de maneira permanente,  
na inter-relação dinâmica entre a autocompreensão do docente, as exigências normativas e o exercício  
situado da educação.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Arnold Barreto Rodríguez  
Categoria: As responsabilidades éticas dos docentes como uma questão de rotina  
Numa segunda categoria, deu-se a tensão nas políticas educativas do 'que deveria ser' e do 'que é'  
como uma espécie de autocompromisso ético. Os docentes argumentaram que as políticas institu-  
cionais tendem a focar-se na centralidade da imposição de critérios rigorosos sobre a funcionalidade  
do ensino, da sua avaliação, e da produtividade do ensino, o que por sua vez despoja a dimensão  
humana do ensino e da aprendizagem. Nesta mesma linha, Flores et al. (2022) documentam que a  
maioria dos educadores considera que a ética profissional é um dos âmbitos mais contraditórios entre  
a idealidade e a prática, onde a normativa e a realidade se entrelaçam, e onde se cruzam as demandas  
morais administrativas e os valores éticos unidimensionais administrativos. De Hoz (2023) assegura  
que alguns participantes expressaram a existência de um 'dever' que se definia horizontalmente, e  
se utilizava, por analogia, aos eixos cardeais. 'A ética não se ensina, vive-se' é uma frase que muitos  
usaram e pode levar à visão de Freire (2019) da educação como um ato profundamente moral. Se-  
gundo De Hoz (2023), porque a práxis ética do ensino deve situar-se, neste caso, no contexto social  
e cultural do ato educativo. De maneira complementar, Baca et al. (2023) e as suas reflexões sobre a  
nova ética do ensino digital e a responsabilidade social da informação, da privacidade, da autoria e  
da propriedade digital.  
A abordagem de análise permite concluir que a enunciação que o docente possa realizar em termos  
de futurismo não pode estar ancorada num sistema de imposição burocrática. Além disso, é um sis-  
tema de imposição de disponibilidades de ação. Para Gadamer (2018), isto seria uma ética da com-  
preensão, assim dita a partir da abertura do sujeito ao encontro com o outro. Deste ponto de vista,  
compreender é pôr-se à mesa do diálogo, ativamente na interação e abandonar a imposição de ver-  
dades fechadas ou definitivas. Daqui se explica a razão pela qual a formação docente deve apelar à  
ética e à filosofia e, no caso do ensino, ao amor e à paixão.  
42  
Figura 2  
Tensões do dever-ser docente  
Nota: Elaboração própria (2026).  
Categoria: A práxis pedagógica (espaço de reconciliação)  
A terceira categoria emergente é a pedagogia da práxis que provém do território, conceptualizada  
como o espaço onde se intersetam o ser e o dever-ser do docente na ação. As reflexões indicaram  
que uma boa quantidade de docentes, nos seus dilemas éticos, optam por construir nas suas estra-  
tégias de ensino a humanização do processo de ensino. Um dos docentes expressou: “Quando escuto  
os estudantes, aprendo a ser um melhor docente. O dever-ser provém da sala de aula, não do livro.”  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
A identidade docente em tensão: Uma hermenêutica da práxis educacional atual na Colômbia  
Esta expressão recolhe o sentido de Freire (2019) quando sustenta que ensinar não é simplesmente  
transferir saberes, é criar condições para que o estudantado se aproprie de um sentido.  
Mora (2024) sustenta que a pedagogia crítica se materializa nos processos de ensino quando os do-  
centes, mediante um exercício reflexivo e raciocinado, assumem uma postura ética frente às injustiças  
sociais. De maneira complementar, Castillo et al. (2023) assinalam que a liderança ética do professo-  
rado contribui para a construção do éthos profissional dos estudantes, o que transforma a sala de  
aula num espaço de formação moral.  
Os resultados assinalaram áreas que levaram a construções positivas da pedagogia da prática como  
um exercício de pedagogia, não como mera transmissão de um insumo, de conhecimento ou de va-  
lores. Exemplificam a prática transformadora que articula o ideal com o real, o pensamento com a  
ação, o ser com o dever-ser. Isto ressoa com a elaboração de Morin (2020) que descreve a educação  
como um marco complexo onde o conhecimento, a ética e o afetivo se entrelaçam para construir ci-  
dadãos libertados e responsáveis.  
Figura 3  
A espiral reflexiva da práxis docente  
43  
Nota: Elaboração própria (2026).  
A prática educativa atual pode e deve ser reconhecida como um processo transformador e recons-  
trutivo da integralidade do docente. Não é apenas um exercício de profissão; é também um exercício  
de sentido, onde a identidade do docente se conjuga com a identidade do ser. Isso provoca uma  
tensão dialética que articula o sentido da prática educativa. Nesta linha, o educador não ensina a  
partir de uma norma, mas a partir de uma consciência que se apropria dela. Isso converte a sua  
práxis numa experiência reflexiva onde o pedagógico, o ético e o ontológico se articulam numa  
mesma tarefa que, no fundo, já não é apenas na sala de aula. É a humanização da educação.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Arnold Barreto Rodríguez  
Desde a perspetiva de Levinas (2019), a origem de toda ação moral é a responsabilidade para com  
o outro. Desta maneira, e no âmbito da educação, trata-se de um reconhecimento ético da alteridade  
na relação pedagógica. Educar, neste sentido, significa cuidar, escutar e acompanhar dignamente,  
sabendo que cada encontro com o aluno é um encontro com o rosto do outro, que coloca uma exi-  
gência moral. Compreendido desta forma, o docente já não se concebe a si mesma como uma mera  
transmissora de conteúdos, ou como uma executora de políticas institucionais; percebe-se a si mesma  
como um sujeito ético que está em contacto com o profundo significado do seu trabalho pedagógico  
em contextos marcados pela fragmentação e pela desumanização. O seu trabalho não se limita a  
cumprir padrões preestabelecidos, mas está orientado para a construção de uma cultura de reflexão  
ética, onde o ensino se concebe como um ato situado, comprometido e transformador no aqui e  
agora da experiência educativa.  
Sob tais circunstâncias, as práticas docentes poderiam ser pensadas como uma práxis hermenêutica,  
que implica um diálogo mais distanciado entre o que fazem os quadros institucionais, a norma e a  
consciência. Só nessa dupla tensão ética e criativa pode emergir o ensino transformador que ilumina  
o sentido que cada indivíduo atribui ao conhecimento que construímos na escola. Um ensino capaz  
de integrar o técnico e o sensível, a norma e o humano, a educação e a essência real desta.  
Conclusões  
A análise interpretativa permite reconhecer que um docente atual se enfrenta a encruzilhadas exis-  
tenciais onde o ser e o dever-ser, neste caso, não são nem abstratos nem filosóficos, vivem-se nas  
paradoxos da prática profissional. O ser analista ilumina que ser professor é estar num processo con-  
tínuo e repetitivo de enorme dificuldade. De forjar e buscar desesperadamente autocompreensões,  
construções de identidade dentro de uma constelação de vocação, uma constelação de experiências  
e um forte compromisso ético com o outro. Não é um ser dado. É um ser que se relaciona com os  
alunos, com o conhecimento e com o mundo.  
44  
O ser, neste caso, tem de ser mais do que uma lista de regras e prescrições institucionais. É um hori-  
zonte ético com o objetivo de estruturar a prática educativa, em termos de equidade, responsabili-  
dade e alinhamento no que se refere ao ético. Quanto mais um docente incorporar este ‘ser’ ético  
no seu papel profissional, mais a ética, como posição proto-, se transforma em algo quase instintivo.  
Este sentido do ensino torna-se em atos de cobertura, a regra, numa experiência vivida, humana.  
A ideia de tensão entre dois polos – identidade e aspiração – torna-se mais clara e significativa. Nesta  
configuração, a pedagogia da práxis vê o potencial para inverter a tensão e convertê-la em cresci-  
mento. O ensino, nesta configuração, é mais do que meramente a entrega de conteúdo. O ensino,  
nesta configuração, é uma experiência multifacetada que vai além da criação de significado e inclui  
os três domínios primários da aprendizagem – cognitivo, psicomotor e afetivo. A educação, neste  
caso, é a oportunidade de se envolver numa ação intencional que sustenta o valor intrínseco de todas  
as partes na interação. A educação, neste caso, é a oportunidade de se envolver numa ação inten-  
cional que, em todo o momento, sustenta o valor intrínseco de todas as partes na interação.  
A noção anterior situa o docente como um sujeito filosófico do discurso sobre a educação. Nesta  
noção, o docente pode refletir sobre perguntas existenciais acerca do seu ser no mundo e se o seu  
ensino é consistente com as suas realidades vividas. Perguntas sobre a verdade das suas palavras e  
o peso das suas ações. Nisto, o docente está justificado para construir uma ética de cuidado, presença  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
A identidade docente em tensão: Uma hermenêutica da práxis educacional atual na Colômbia  
e consideração para com o outro. Nisto, o docente pode participar numa pedagogia ontológica da  
pessoa, o que significa que ensinar é, pelo menos, sobre a capacidade de reconhecer o outro e que  
o outro reconheça o outro.  
Os resultados do presente estudo indicam que um dos desafios mais importantes que a educação  
enfrenta hoje em dia não consiste na aplicação de novas tecnologias ou na medição dos resultados  
de aprendizagem, mas relaciona-se com a necessidade de reconfigurar a dimensão humana da ati-  
vidade educativa. Desta perspetiva, a escola continua a ser o lugar do diálogo, da reflexão, da inte-  
gralidade, onde a voz do professor volta a ganhar relevância como mediação pedagógica e ética, e  
não como um mero recurso instrutivo. A partir dos pressupostos expostos, o ser e o fazer do docente  
não são assumidos como dimensões dissociadas, mas como instâncias interdependentes na articu-  
lação entre éthos e práxis, razão e afeto na prática educativa.  
O ensino, entendido assim, é um ato de responsabilidade, um ato de transbordar a desumanização  
da educação e um ato de convite ao compromisso com um modo de pensar, de sentir e agir de ma-  
neira integrada. O fenómeno da docência na esfera do ser e do fazer revela o docente, em primeiro  
lugar, como um ser humanizador, um dador de sentido e um farol na escuridão. O ensino, de todas  
as coisas, educa uma certa consciência que, quando a Filosofia penetra o tecido civilizacional, eleva  
a função do ensino ao nível de uma verdadeira vocação, uma vocação pela justiça, pela transformação  
da pessoa humana.  
Privacidade: Não aplica.  
Declaração sobre o uso de inteligência artificial: O autor do presente artigo declara que não  
empregou Inteligência Artificial na sua elaboração.  
45  
Referências  
AERA. (2020). Ethical Standards of the American Educational Research Association. Washington, DC:  
AERA. https://www.aera.net/About-AERA/AERA-Rules-Policies  
Baca, C. W. A., Jiménez, C. J. A., Bedón, P. S. R., Moreno, V. L. G. e Macías, S. M. J. (2025). La ética del  
docente en la era digital: privacidad, derechos de autor y uso responsable de la tecnología. Ciencia  
Latina Revista Científica Multidisciplinar, 9(1), 2191–2209. https://ciencialatina.org/index.php/cien-  
ciala/article/view/15989  
Castillo, G. A., Pastrán, C. F. e Mendoza, M. J. (2023). Liderazgo ético del docente universitario en la  
formación del ethos del futuro profesional. Revista Andina de Educación, 7(1), 1–14.  
https://revistas.uasb.edu.ec/index.php/ree/article/view/1554  
De la Hoz, C. N. R. (2023). Competencias docentes para fomentar una praxis contextualizada de la  
educación ética y valores morales. Revista Latinoamericana Ogmios, 1(7), 15–29.  
https://idicap.com/ojs/index.php/ogmios/article/view/184  
Flores, L. F. A., Valenzuela, C. J. C. e Campos, D. J. E. (2022). Ética y docencia en la educación univer-  
sitaria en el periodo 2017–2022: una revisión sistemática. Ciencia Latina Revista Científica Multi-  
disciplinar, 7(1), 4604. https://ciencialatina.org/index.php/cienciala/article/view/4604  
Freire, P. (2019). Pedagogía de la autonomía: Saberes necesarios para la práctica educativa. México:  
Siglo XXI Editores.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Arnold Barreto Rodríguez  
Gadamer, H. G. (2018). Verdad y método. Sígueme.  
García, R. J. (2022). Construcción de la primera identidad profesional del profesorado español de se-  
cundaria durante su formación inicial. Revista Mexicana de Investigación Educativa, 27(94), 105–  
125. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=14072628004  
García, C. J. (2024). Narrativas docentes: tensiones entre discurso y práctica: Teacher narratives: ten-  
sions between discourse and practice. LATAM Revista Latinoamericana De Ciencias Sociales Y Hu-  
manidades, 5(6), 1489 – 1358. https://doi.org/10.56712/latam.v5i6.3087  
Gómez, T. F. H., Castro, G. G. Y. e Romero, N. W. H. (2022). Caracterización de la identidad profesional  
del  
docente  
universitario.  
Espiral  
Estudios  
sobre  
Estado  
y
Sociedad,  
12(1).  
https://doi.org/10.15332/erdi.v12i1.2884  
Herrera, E. K. C., Gonzales, S. F., García, M. G. D. P. e Ponce, Y. D. L. P. (2022). Identidad profesional y  
php/epistemekoinonia/article/view/2531  
Levinas, E. (2019). Totalidad e infinito. Sígueme.  
Mora, R. R. F. (2024). Pedagogía crítica y la educación actual. Revista Ciencias y Humanidades, 6(2),  
87–102. https://revistacienciasyhumanidades.com/index.php/inicio/article/view/162  
Morin, E. (2020). Los siete saberes necesarios para la educación del futuro. Unesco.  
Patton, M. Q. (2015). Qualitative Research & Evaluation Methods. (4th ed.). SAGE Publications.  
Ricoeur, P. (2018). Del texto a la acción: ensayos de hermenéutica II. Fondo de Cultura Económica.  
46  
Tenti, F. E. (2005). La condición docente: análisis comparado de la Argentina, Brasil, Perú y Uruguay.  
Fundación OSDE, IIEP-Unesco, Siglo XXI Editores.  
Artigo recebido: 20 de janeiro de 2026.  
Artigo aceito: 23 de fevereiro de 2026.  
Data aprovada para diagramação: 25 de fevereiro de 2026.  
Data de publicação: 30 de junho de 2026.  
Notas sobre o autor  
* Arnold Barreto Rodríguez é Dr. en Humanidades no Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
(IESIP), San Cristóbal, Venezuela. É Licenciado en Filosofía y Educación Religiosa pela Fundación Universitaria Católica  
del Norte, Santa Rosa de Osos, Antioquia, e Magíster en Gerencia Educativa pela Universidad Nacional Experimental  
del Táchira, Venezuela. Atualmente atua como docente de ensino secundário nas áreas de Filosofia, Ética, Ciências  
Sociais e História na Institución Educativa Departamental Real del Obispo, localizada no corregimento de Real del  
Obispo, município de Tenerife, Magdalena, Colômbia. E-mail de contato: abarretot75@gmail.com  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
https://doi.org/10.59654/mcpjd421  
Gamificação em matemática: um olhar crítico  
sobre as tensões entre inovação e prática  
docente em Bogotá  
Gamificación en matemáticas: una mirada crítica a las tensio-  
nes entre innovación y práctica docente en Bogotá  
Miguel Chávez Marín*  
Professor de Matemática no Colegio Tomás Cipriano de Mosquera, Bogotá / Colômbia  
Resumo  
Nos últimos anos, a gamificação tem se consolidado como uma estratégia inovadora no ensino da matemática; no  
entanto, sua implementação em sala de aula ainda é limitada. Este artigo examina as tensões entre as potencialidades  
teóricas da gamificação e os desafios práticos enfrentados pelos professores de matemática em escolas públicas de  
Bogotá. A partir de uma revisão crítica de experiências, da formação docente e das condições institucionais, evi-  
dencia-se uma lacuna entre o discurso da inovação e as realidades da sala de aula. A ausência de formação espe-  
cífica, as restrições curriculares e a escassa infraestrutura tecnológica configuram um cenário complexo para sua  
adoção. Essa reflexão convida a reconsiderar a gamificação não apenas como uma ferramenta motivacional, mas  
como parte de uma abordagem pedagógica mais ampla que requer transformações na cultura escolar, no papel  
docente e na gestão educacional.  
47  
Palavras-chave: Gamificação, ensino da matemática, formação docente, inovação pedagógica, motivação na  
aprendizagem, educação pública.  
Resumen  
En los últimos años, la gamificación se ha posicionado como estrategia innovadora en la enseñanza de las mate-  
máticas; sin embargo, su implementación en el aula sigue siendo limitada. Este artículo examina las tensiones entre  
las potencialidades teóricas de la gamificación y los desafíos prácticos que enfrentan los docentes de matemáticas  
en colegios públicos de Bogotá. A partir de la revisión crítica de experiencias, formación docente y condiciones ins-  
titucionales, se evidencia una brecha entre el discurso de innovación y las realidades del aula. La ausencia de for-  
mación específica, las restricciones curriculares y la escasa infraestructura tecnológica configuran un escenario  
complejo para su adopción. Esta reflexión invita a reconsiderar la gamificación no solo como herramienta motiva-  
cional, sino como parte de un enfoque pedagógico más amplio que requiere transformaciones en la cultura escolar,  
el rol docente y la gestión educativa.  
Palabras clave: Gamificación, enseñanza de las matemáticas, formación docente, innovación pedagógica, motiva-  
ción en el aprendizaje, educación pública.  
Como citar este artigo (APA): Chávez, M. M. (2026). Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as  
tensões entre inovação e prática docente em Bogotá. Revista Digital de Investigación y Postgrado, 7(14), 47-  
84. https://doi.org/10.59654/mcpjd421  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
Introdução  
A educação matemática tem sido questionada e renovada por diversas propostas que buscam trans-  
formar seu ensino por meio de metodologias ativas, participativas e contextualizadas. Uma delas é a  
gamificação, entendida como a incorporação de elementos do design de jogos em contextos edu-  
cativos para motivar e gerar experiências significativas de aprendizagem (Werbach & Hunter, 2012;  
Kapp, 2012). Embora seu uso tenha se difundido em diferentes níveis educacionais e áreas disciplina-  
res, no campo da matemática ainda persistem resistências, dúvidas e limitações para sua implemen-  
tação. Esta situação levanta uma questão fundamental: por que uma estratégia que tem demonstrado  
benefícios em termos de motivação e participação continua a ser marginalizada em muitas salas de  
aula de matemática, especialmente em contextos como o da América Latina?  
Na América Latina, a incorporação de enfoques inovadores como a gamificação enfrenta barreiras  
estruturais e culturais que vão além da vontade individual do professor. Estudos recentes mostram  
que, embora exista um discurso favorável à inovação pedagógica, na prática os professores precisam  
lidar com currículos rígidos, falta de formação específica e condições institucionais desfavoráveis (Zai-  
nuddin et al., 2020; Calderón, 2021).  
Em Bogotá, esta lacuna entre o ideal e o possível é aprofundada pelas desigualdades no acesso a re-  
cursos, sobrecarga de trabalho e uma cultura escolar tradicional que frequentemente privilegia a ava-  
liação somativa em detrimento da participação significativa. Assim, o uso da gamificação se torna  
mais uma exceção do que uma prática estabelecida, mesmo entre os professores que reconhecem  
seu valor pedagógico.  
48  
A resistência de muitos estudantes em relação à matemática não se deve apenas à dificuldade do  
conteúdo, mas a uma relação emocional deteriorada com a disciplina, marcada pela ansiedade, pela  
percepção de irrelevância e pelo medo do erro (Dondio et al., 2023). Diante deste panorama, a ga-  
mificação emerge como uma estratégia que não apenas incorpora dinâmicas motivacionais, mas  
também convida a repensar o próprio significado de aprender matemática. Ao propor desafios, níveis,  
feedback constante e recompensas simbólicas, abrem-se espaços para a exploração autônoma, o  
pensamento crítico e a ressignificação do erro como oportunidade (Homer et al., 2020; Scolari et al.,  
2018). Daí a importância de investigar não apenas os efeitos da gamificação na aprendizagem, mas  
também o papel do professor como mediador e designer de experiências significativas.  
Diversas investigações demonstraram que a gamificação pode favorecer tanto o desempenho acadê-  
mico quanto a motivação e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, apoiando-se em fe-  
rramentas dinâmicas, criativas e intuitivas que estimulam a participação do estudante (Páez et al., 2022).  
Além disso, estudos como os de Högberg et al. (2019) apontam que as experiências gamificadas são  
potentes indutores de estados emocionais positivos que fortalecem o vínculo com a aprendizagem.  
Contudo, o sucesso desta metodologia não depende da simples incorporação de mecânicas de jogo,  
mas de um planejamento pedagógico intencional, capaz de articular elementos lúdicos com objetivos  
formativos, conteúdo disciplinar e as características particulares dos alunos. Em outras palavras, a ga-  
mificação adquire significado educativo quando deixa de ser uma estratégia recreativa e se torna uma  
mediação didática com propósito, voltada para promover aprendizagens permanentes e significativas.  
No caso específico de Bogotá, o ensino da matemática enfrenta múltiplos desafios que vão além do  
estritamente acadêmico. Vários estudos têm apontado a necessidade de promover ambientes de  
aprendizagem mais transversais e criativos, que integrem a gamificação como estratégia pedagógica  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
para revitalizar o interesse dos estudantes (Criollo, 2023; Sarmiento, 2020; Hernández, 2017). No en-  
tanto, esses esforços ocorrem em um contexto marcado por desigualdades socioeconômicas, baixos  
níveis de desempenho em testes padronizados e um notório desinteresse pela disciplina (Rubiano,  
2023; Acevedo & Ortiz, 2020; Flórez, 2024).  
A essas dificuldades somam-se fatores culturais e relacionais que afetam a relação dos jovens com o  
conhecimento, a perda do valor cultural da escola (De la Hoz & Maestre, 2024), tensões na convi-  
vência escolar (Causaso & Pacheco, 2018) e processos de exclusão que ainda persistem nas aulas de  
matemática (García, 2025). Diante deste panorama, estratégias narrativas e gamificadas emergem  
como uma oportunidade para reconstruir o significado pedagógico da disciplina, recuperando a ale-  
gria de aprender e fortalecendo a compreensão a partir de experiências mais significativas (León &  
Cruz, 2021).  
Esta situação demonstra a necessidade de adaptar as metodologias de ensino e incorporar intencio-  
nalmente a gamificação nas escolas de Bogotá, especialmente na área de matemática. Neste cenário,  
é essencial compreender como os professores percebem esta estratégia, seu nível de conhecimento  
sobre seus fundamentos teóricos e aplicações possíveis, bem como as atitudes que assumem em re-  
lação à sua integração curricular. A formação de professores configura-se, portanto, como um eixo  
decisivo; a ausência de formação específica em gamificação pode limitar sua implementação e reduzir  
significativamente seu impacto pedagógico.  
Este artigo visa refletir sobre o conhecimento, as atitudes e as habilidades dos professores de mate-  
mática em relação à gamificação, a fim de compreender os fatores que influenciam sua adoção ou  
resistência dentro da sala de aula. Mais do que descrever tendências, busca-se oferecer um olhar crí-  
tico e abrangente sobre como os professores percebem esta estratégia, quais condições facilitam sua  
implementação e quais obstáculos persistem nos contextos escolares de Bogotá.  
49  
A análise aqui apresentada faz parte do projeto doutoral “Análisis del conocimiento y de las actitudes  
de los docentes de matemáticas en la implementación de la gamificación como estrategia didáctica en  
escuelas públicas de Bogotá”, que tem como um de seus objetivos específicos diagnosticar as habili-  
dades técnicas, os conhecimentos e as atitudes que limitam ou favorecem a incorporação efetiva da  
gamificação em sala de aula.  
A partir desta abordagem, propõe-se um espaço de reflexão para repensar o papel do professor na  
inovação pedagógica, reconhecendo que a gamificação não é uma moda metodológica, mas uma  
oportunidade para transformar o ensino da matemática a partir da criatividade, da motivação e de  
uma relação significativa com o conhecimento.  
A reflexão está organizada em torno de cinco eixos fundamentais: o nível de conhecimento dos pro-  
fessores sobre os princípios e elementos da gamificação; as atitudes predominantes em relação ao  
seu uso no ensino; os fatores pessoais e institucionais que influenciam sua adoção; os pontos fortes  
e fracos percebidos em sua implementação; e as implicações que esses achados têm para a formação  
e o desenvolvimento profissional docente em Bogotá. Esta abordagem busca articular a perspectiva  
investigativa com uma leitura pedagógica e transformadora do papel do professor, posicionando a  
gamificação como um caminho possível para práticas mais motivadoras, inclusivas e criativas na edu-  
cação matemática.  
A justificativa para este estudo reside na urgência de transformar o ensino da matemática, superando  
a distância entre as possibilidades teóricas oferecidas pela gamificação e sua escassa implementação  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
nas salas de aula, ainda marcadas por abordagens tradicionais que limitam a participação e a criati-  
vidade. Compreender as percepções e experiências dos professores permite o desenho de estratégias  
de acompanhamento e formação mais ajustadas aos seus contextos, capazes de fomentar a apro-  
priação crítica das metodologias ativas. Refletir sobre essas práticas não apenas contribui para a ino-  
vação didática, mas também fortalece o compromisso profissional do professor como agente de  
mudança dentro das escolas públicas.  
Nesse sentido, o presente trabalho busca construir pontes entre teoria, prática e reflexão pedagógica,  
oferecendo um marco analítico que contribua para a melhoria contínua do ensino da matemática.  
Seus resultados e discussões consolidam-se como base para pesquisas futuras que aprofundem a  
integração da gamificação e seu potencial para transformar as experiências de aprendizagem em  
contextos educacionais latino-americanos.  
Referencial teórico  
Compreender a relação entre a gamificação e o ensino da matemática requer uma análise que trans-  
cenda o instrumental e se situe no plano pedagógico, cultural e epistemológico. Neste sentido, cons-  
titui-se um espaço de reflexão onde convergem ideias, debates e perspectivas que sustentam a  
compreensão do fenômeno educacional abordado. Desde uma perspectiva crítica, analisam-se os  
fundamentos conceituais da gamificação, as atitudes e conhecimentos dos professores perante a ino-  
vação didática e os desafios institucionais que condicionam sua aplicação. Estes três eixos permitem  
uma leitura integral do problema, posicionando o professor não apenas como executor de estratégias,  
mas como agente reflexivo que interpreta, transforma e ressignifica suas práticas em contextos com-  
plexos, como os das escolas públicas de Bogotá.  
50  
Gamificação no ensino da matemática: fundamentos e alcance pedagógico  
A gamificação surgiu nas últimas décadas como uma das estratégias mais potentes para ressignificar  
a relação entre os estudantes e a aprendizagem. Seu propósito não se limita a aprender jogando,  
mas consiste em incorporar as lógicas do jogo dentro das estruturas pedagógicas para potencializar  
a motivação, o compromisso e o senso de realização (Werbach & Hunter, 2012; Kapp, 2012). Desde  
esta perspectiva, a aprendizagem é concebida como uma experiência ativa e emocional, onde o erro  
deixa de ser um obstáculo e se torna uma oportunidade para explorar, refletir e melhorar.  
No campo da educação matemática, a gamificação tem demonstrado efeitos positivos no desem-  
penho acadêmico, na motivação e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, graças ao  
uso de ferramentas dinâmicas, criativas e intuitivas que promovem a participação do estudante (Páez  
et al., 2022). Da mesma forma, tem sido demonstrado que as experiências gamificadas são poderosos  
indutores de estados emocionais positivos que fortalecem o vínculo afetivo com a aprendizagem  
(Högberg et al., 2019). Ao integrar desafios, níveis e feedback constante, promovem-se a autonomia,  
o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas a partir de uma dimensão mais lú-  
dica e significativa (Homer et al., 2020; Scolari et al., 2018).  
Neste sentido, a gamificação em matemática não pode ser entendida como um conjunto de técnicas  
recreativas, mas como uma abordagem pedagógica que reconfigura a relação entre emoção, cog-  
nição e conhecimento disciplinar. Seu impacto transcende a motivação momentânea; implica uma  
mudança na maneira como os estudantes se apropriam do conhecimento matemático, favorecendo  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
a construção de aprendizagens duradouras e significativas. Assim, a gamificação se projeta como  
uma ferramenta para humanizar o ensino, transformando a sala de aula em um espaço de desco-  
berta, participação e criatividade.  
Embora o principal interesse deste trabalho se concentre nas atitudes e conhecimentos dos profes-  
sores, os estudos revisados também mostram que a gamificação tem um impacto direto na motivação  
e no desempenho dos alunos, fatores que, por sua vez, afetam a percepção e a disposição dos pro-  
fessores em relação ao seu uso. Pesquisas recentes concordam que esta metodologia gera uma par-  
ticipação mais ativa e sustentada na aprendizagem da matemática, favorecendo a compreensão de  
conceitos tradicionalmente complexos e a melhora no desempenho acadêmico. Niampira (2023),  
por exemplo, documenta avanços significativos na aprendizagem de frações, termos algébricos e  
operações básicas, como adição, subtração, multiplicação e divisão, a partir da implementação de  
estratégias gamificadas. Essas descobertas sugerem que o potencial transformador da gamificação  
não reside apenas em seu componente lúdico, mas em sua capacidade de redefinir a relação emo-  
cional e cognitiva do estudante com a matemática, gerando ambientes de aprendizagem mais mo-  
tivadores e significativos.  
No contexto de Bogotá, diversas experiências educativas demonstraram o potencial da gamificação  
como ferramenta de mediação pedagógica no ensino da matemática. Hernández e Sarmiento (2022)  
documentam intervenções baseadas no uso de videogames e plataformas como o Scratch, voltadas  
para o fortalecimento da aprendizagem da geometria por meio da criação de ambientes interativos.  
De forma similar, Aldana (2020) descreve o design de espaços virtuais gamificados que integram mis-  
sões e desafios para o ensino de frações a alunos do sétimo ano. Essas experiências mostram que,  
quando a gamificação se articula com processos de resolução de problemas, feedback e avaliação  
formativa, os estudantes não apenas melhoram seu desempenho acadêmico, mas também transfor-  
mam sua atitude perante a matemática, percebendo-a como um campo mais próximo, desafiador e  
significativo. Assim, a experiência lúdica se torna um catalisador para a motivação e a compreensão  
conceitual, reafirmando que a inovação pedagógica deve ser acompanhada por uma intencionalidade  
formativa, não meramente recreativa.  
51  
Da mesma forma, a implementação de ambientes virtuais de aprendizagem gamificados tem mos-  
trado efeitos positivos no desenvolvimento de competências matemáticas, particularmente na reso-  
lução de problemas, no pensamento numérico e na compreensão geométrica. Embora alguns estudos  
mostrem que o desempenho dos estudantes se mantém em níveis básicos, também destacam uma  
maior disposição para a aprendizagem e uma interação mais ativa com os recursos digitais. Essas  
experiências demonstram que o uso de missões, pontuações e recompensas, que são elementos ca-  
racterísticos da gamificação, favorece a motivação e a persistência diante dos desafios inerentes à  
aprendizagem matemática (Castillo, 2021).  
Além dos resultados imediatos, a incorporação de estratégias gamificadas permite a criação de am-  
bientes mais inclusivos e participativos, onde o erro é assumido como parte do processo e o feedback  
constante fortalece a autonomia do estudante. Consequentemente, a gamificação em ambientes di-  
gitais não apenas amplia as possibilidades didáticas, mas também reconfigura a relação emocional  
com a aprendizagem, gerando experiências significativas que transcendem a repetição mecânica de  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
exercícios e promovem uma compreensão mais profunda dos conceitos.  
Diversos estudos concordam que a gamificação pode melhorar significativamente os resultados da  
aprendizagem em matemática, especialmente quando incorpora mecanismos de feedback imediato  
e dinâmicas lúdicas que facilitam a compreensão dos conteúdos ao apresentá-los de uma forma mais  
clara e atrativa. Além disso, esta metodologia promove ambientes colaborativos de aprendizagem,  
nos quais os estudantes trabalham em equipe para superar desafios, fortalecendo assim suas habili-  
dades de comunicação e resolução de problemas (García, 2021).  
No entanto, a literatura também adverte que a eficácia da gamificação depende de seu design pe-  
dagógico. García (2021) aponta que um planejamento inadequado ou uma integração deficiente por  
parte do professor pode reduzir os impactos positivos esperados. Na mesma linha, Rodríguez e Visbal  
(2022) enfatizam a necessidade de reformular as estratégias didáticas tradicionais por meio de pro-  
postas gamificadas que promovam uma compreensão profunda dos conceitos matemáticos. Tudo  
isso ressalta a importância de o professor não apenas dominar os aspectos técnicos da gamificação,  
mas compreender seu sentido pedagógico e integrá-la como uma ferramenta coerente com seus  
objetivos formativos.  
Atitudes e conhecimentos dos professores perante a inovação didática  
A incorporação de metodologias ativas como a gamificação no ensino da matemática depende, em  
grande medida, das disposições e saberes dos professores. Não basta que existam ferramentas digitais  
ou estratégias didáticas inovadoras; sua apropriação requer professores capazes de interpretar, adaptar  
e ressignificar essas propostas de acordo com seu contexto escolar. Neste sentido, o conhecimento  
pedagógico e as atitudes perante a inovação constituem elementos decisivos que mediam entre a  
teoria e a prática educativa (Marcelo & Vaillant, 2013; Fullan, 2007). A evidência mostra que, quando  
os professores compreendem o sentido formativo da gamificação e se sentem competentes para  
aplicá-la, seu impacto em sala de aula é mais profundo e sustentado, enquanto a falta de compreensão  
ou confiança pode gerar rejeição ou uso superficial da estratégia (Calderón, 2021; Ponte et al., 2019).  
52  
Estudos recentes mostram uma variabilidade notável no nível de conhecimento que os professores  
de matemática possuem sobre a gamificação e seus princípios pedagógicos. Embora uma parte sig-  
nificativa do corpo docente tenha ouvido o termo ou tenha uma compreensão geral de seu propósito,  
poucos conseguem identificar em profundidade a mecânica, as dinâmicas e os componentes do de-  
sign de jogos que sustentam sua aplicação educativa (Werbach & Hunter, 2012). Esta lacuna conceitual  
revela que, para além da novidade tecnológica, muitos professores ainda percebem a gamificação  
como um recurso recreativo, sem reconhecer seu potencial epistemológico para transformar o ensino.  
Compreender como regras, níveis ou recompensas podem se alinhar com os objetivos de aprendi-  
zagem requer não apenas habilidades técnicas, mas também uma formação pedagógica sólida que  
permita reinterpretar a lógica do jogo dentro dos processos de ensino e avaliação.  
Um número considerável de professores associa a gamificação quase exclusivamente ao uso de pon-  
tos, medalhas e tabelas de classificação, reduzindo seu alcance a uma prática de recompensa ou  
competição superficial. Esta visão, conhecida como "pontificação", reflete uma compreensão limitada  
da abordagem e frequentemente leva a implementações ineficazes, onde os elementos do jogo são  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
adicionados de forma decorativa, sem uma integração pedagógica coerente com os objetivos de  
aprendizagem. Como apontam Palacios e Cimas (2024), embora muitos educadores tenham ouvido  
falar de gamificação, apenas uma minoria consegue distinguir os tipos de jogadores ou as motivações  
que essa estratégia busca ativar. Esta lacuna entre o conhecimento técnico e o sentido pedagógico  
evidencia a necessidade de uma formação mais profunda em design instrucional e teorias da moti-  
vação, para que a gamificação não se reduza a uma tendência passageira, mas se consolide como  
uma ferramenta transformadora da aprendizagem matemática.  
A ausência de formação específica em gamificação constitui um dos fatores mais persistentes que  
explicam as lacunas de conhecimento identificadas entre os professores. Cáliz, Cerón e Hernández  
(2024) apontam que, quando os educadores não dominam as ferramentas tecnológicas nem as es-  
tratégias didáticas necessárias, sua capacidade de projetar experiências de aprendizagem inovadoras  
e significativas fica limitada. Esta carência não apenas afeta a integração da gamificação em sala de  
aula, mas também amplia a lacuna digital e pedagógica entre aqueles que são formados para ensinar  
e aqueles que aprendem em ambientes mediados pela tecnologia.  
Neste sentido, a gamificação representa uma oportunidade para reconfigurar os processos de ensino,  
integrando dinâmicas de jogo que promovam a exploração, a criatividade e a aprendizagem ativa.  
No entanto, sua implementação exige uma formação docente contínua, orientada para a compreen-  
são tanto dos fundamentos teóricos da abordagem como de seu potencial para fortalecer a motiva-  
ção e o desempenho acadêmico dos estudantes.  
Os resultados mais consistentes na implementação de estratégias gamificadas estão associados a  
processos formativos que capacitam os professores em seu design e integração pedagógica. Quando  
as instruções para o desenvolvimento de atividades são claras, dinâmicas e articuladas com aborda-  
gens de aprendizagem significativa e autônoma, alcançam-se ambientes mais participativos e eficazes  
(Banfield & Wilkerson, 2014; Elles & Gutiérrez, 2021). Nestes casos, a gamificação deixa de ser uma  
prática intuitiva para se tornar uma estratégia didática consciente, na qual o professor assume o papel  
de designer de experiências de aprendizagem, em vez de transmissor de conteúdos.  
53  
Da mesma forma, os professores que recebem formação formal em gamificação desenvolvem uma  
compreensão mais analítica de como os elementos do jogo podem potencializar a motivação, a co-  
laboração e o pensamento crítico em matemática. A formação, então, não apenas amplia o conhe-  
cimento teórico, mas também fortalece as habilidades técnicas e a confiança profissional necessárias  
para integrar recursos digitais e ambientes interativos na prática diária. Neste sentido, a formação de  
professores se torna a ponte entre a intenção inovadora e a transformação real do ensino.  
Embora os estudos sobre a atitude dos professores em relação à gamificação ainda sejam escassos  
(Martí et al., 2016), a pesquisa existente mostra uma tendência positiva em relação ao seu uso em  
sala de aula. Claros et al. (2020) apontam que muitos professores universitários expressam uma dis-  
posição favorável para integrar elementos lúdicos em suas aulas, reconhecendo seu potencial para  
dinamizar o ensino e fortalecer o vínculo pedagógico com os estudantes. Na mesma linha, Sagnier  
et al. (2020) destacam que a atitude proativa do corpo docente se torna um meio eficaz para incor-  
porar inovações, já que aqueles que valorizam positivamente a gamificação tendem a explorá-la e  
adaptá-la com mais frequência.  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
No contexto de Bogotá, Criollo (2023) enfatiza que as estratégias gamificadas em matemática elevam  
a motivação e o compromisso dos estudantes, gerando ambientes de aprendizagem mais atrativos  
e participativos. Estas descobertas sugerem que a atitude do professor atua como um catalisador da  
mudança educativa; quando os professores acreditam no valor pedagógico da inovação, o ensino se  
transforma. No entanto, esta disposição individual requer apoio institucional e acompanhamento for-  
mativo para se consolidar como uma prática sustentável dentro da cultura escolar.  
A maioria dos estudos concorda que os professores percebem a gamificação como uma estratégia  
inovadora capaz de aumentar a motivação e o compromisso dos estudantes. Seu potencial para  
transformar a sala de aula em um espaço mais dinâmico e participativo a torna uma ferramenta va-  
liosa para reduzir a ansiedade matemática e fomentar a participação. No entanto, estas atitudes po-  
sitivas frequentemente coexistem com preocupações e resistências relacionadas à sua aplicação  
prática. Tafur et al. (2023) advertem que muitos professores que utilizam a gamificação não com-  
preendem plenamente os elementos que a estruturam, o que limita seu impacto nos processos de  
ensino e aprendizagem.  
Da mesma forma, Cunza et al. (2020) descobriram que os professores com maior afinidade por jogos  
muitas vezes também mostram maior apreensão em relação à sua implementação, temendo que o  
componente lúdico desloque o conteúdo curricular ou trivialize a aprendizagem matemática. Estas  
tensões refletem um desafio central: alcançar um equilíbrio entre a dimensão lúdica e o rigor acadê-  
mico, de modo que a gamificação não seja percebida como uma distração, mas como uma oportu-  
nidade para repensar a relação entre emoção, conhecimento e motivação no ensino da matemática.  
54  
Outro aspecto a considerar na adoção da gamificação tem a ver com as condições materiais e orga-  
nizacionais que os professores enfrentam. Projetar experiências gamificadas requer tempo, criatividade  
e recursos, o que representa um desafio significativo para aqueles que trabalham com cargas horárias  
extensas ou em instituições com infraestrutura tecnológica limitada. A falta de acesso a ferramentas  
digitais adequadas e a escassa formação institucional no uso de plataformas interativas não apenas  
restringem as possibilidades de inovação, mas também afetam a atitude dos professores, gerando  
frustração e desmotivação diante da implementação dessas estratégias. Em contraste, os professores  
que obtiveram experiências bem-sucedidas de gamificação relatam atitudes altamente favoráveis,  
acompanhadas de melhorias no desempenho acadêmico, na colaboração dos alunos e no clima da  
sala de aula. Estes casos mostram que a autoeficácia percebida, entendida como a confiança do pro-  
fessor em sua capacidade de integrar com sucesso a gamificação, torna-se um preditor determinante  
da disposição para a mudança pedagógica. Quando o professor se reconhece como um agente de  
transformação, a gamificação deixa de ser uma técnica externa e se torna uma prática significativa  
que potencializa a aprendizagem e a criatividade.  
Desafios institucionais e projeções formativas  
As atitudes favoráveis em relação à gamificação perdem força quando confrontadas com contextos  
institucionais pouco propícios à inovação. A implementação de estratégias lúdicas no ensino da ma-  
temática não depende apenas do entusiasmo ou da preparação individual do professor, mas de uma  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
rede de fatores internos e externos que determinam sua viabilidade. Entre os fatores internos estão  
a formação, a autoeficácia e as crenças pedagógicas; entre os externos, os recursos tecnológicos, o  
apoio administrativo, o alinhamento curricular e as condições socioeconômicas dos alunos. Neste  
sentido, a gamificação não pode ser entendida apenas como uma metodologia, mas como um indi-  
cador das tensões e possibilidades do sistema educativo; seu sucesso ou fracasso revela até que  
ponto a escola está disposta a se reinventar para responder aos desafios da educação contemporâ-  
nea.  
Os desafios identificados refletem uma realidade compartilhada por inúmeras instituições educacio-  
nais em Bogotá, onde a formação de professores e a disponibilidade de recursos tecnológicos per-  
manecem fatores críticos para a inovação pedagógica. A formação específica insuficiente no design  
de experiências gamificadas, somada à integração curricular deficiente, limita a eficácia desta meto-  
dologia e impede que seus benefícios se consolidem ao longo do tempo (Céspedes, 2022). A isto  
somam-se problemas persistentes, como as altas taxas de reprovação em matemática e a baixa mo-  
tivação estudantil, evidenciadas por Castaño e Vargas (2020), que alertam que o interesse pela apren-  
dizagem diminui quando as estratégias pedagógicas não conseguem se conectar com as realidades  
e as linguagens dos estudantes.  
A escassez de recursos tecnológicos, as dificuldades de conectividade e a falta de apoio institucional  
agravam este panorama, especialmente em contextos vulneráveis. Estes fatores não apenas restrin-  
gem a inovação, como também aprofundam as desigualdades educativas, reproduzindo a distância  
entre os discursos de transformação e as possibilidades reais de ação na sala de aula.  
55  
As limitações identificadas não devem ser compreendidas unicamente como obstáculos, mas também  
como oportunidades para a inovação pedagógica e tecnológica. A implementação da gamificação  
no ensino da matemática oferece um campo fértil para repensar a prática docente, desde que os  
professores recebam formação adequada e acesso equitativo aos recursos necessários. Com o apoio  
institucional adequado, os professores podem tornar-se pioneiros da mudança educativa, desenvol-  
vendo modelos e boas práticas que beneficiem toda a comunidade escolar.  
A colaboração entre as universidades, as autoridades educativas e as instituições escolares é essencial  
para construir programas de formação contínua e materiais pedagógicos contextualizados. No entanto,  
este propósito requer um investimento sustentado em infraestrutura tecnológica e formação de pro-  
fessores, garantindo a participação de todos os professores, independentemente do tipo de instituição  
ou da sua localização geográfica. Somente desta forma será possível que a gamificação deixe de ser  
uma experiência isolada e se consolide como uma estratégia sistemática de inovação educacional,  
capaz de transformar as dinâmicas de ensino e aprendizagem nas salas de aula públicas de Bogotá.  
Fortalecer a formação de professores em gamificação requer ir além da simples formação técnica.  
Trata-se de repensar as políticas educativas e os ambientes institucionais para que a inovação não  
dependa apenas do entusiasmo individual, mas de uma cultura escolar que a sustente. O investimento  
em infraestrutura tecnológica deve ser acompanhado por processos formativos contínuos e colabo-  
rativos, onde os professores possam projetar experiências significativas e refletir sobre a sua prática.  
Somente em contextos que articulem apoio, formação e uma visão pedagógica compartilhada, a  
gamificação poderá consolidar-se como uma estratégia sustentável de transformação educacional,  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
capaz de humanizar o ensino da matemática e contribuir para uma educação mais equitativa e criativa  
em Bogotá.  
A literatura especializada aponta que não existe uma definição única de gamificação, mas uma ampla  
diversidade de interpretações que reflete a sua evolução conceitual e a sua adaptação a diferentes  
contextos educativos (Lozada & Betancurt, 2015). Para além da sua natureza técnica, a gamificação  
baseia-se em princípios construtivistas e conectivistas, que concebem a aprendizagem como um pro-  
cesso ativo, social e mediado pela interação. Desta perspetiva, a sua eficácia não reside apenas em  
elementos lúdicos ou tecnológicos, mas na sua capacidade de estimular a motivação, favorecer a  
participação significativa e gerar ambientes onde o erro é assumido como parte do processo de  
aprendizagem. Os seus fundamentos psicológicos centrados na motivação, autonomia, autoeficácia  
e modelos de design de jogos aplicados à educação permitem compreender porque é que a gami-  
ficação funciona, não como um adorno metodológico, mas como uma estratégia que ressignifica o  
significado da aprendizagem. Formar professores nesta área envolve prepará-los para criar atividades  
adaptadas aos objetivos curriculares e às características dos seus alunos, onde as mecânicas, dinâmicas  
e componentes do jogo se alinhem com propósitos de aprendizagem claros. Projetos deste tipo per-  
mitem que os alunos desenvolvam o pensamento numérico e a resolução de problemas em ambien-  
tes interativos e desafiadores (Becerra et al., 2023). Na mesma linha, Cárdenas e Chacón (2023)  
propõem a implementação de desafios matemáticos gamificados como estratégia para fortalecer a  
motivação, autonomia e participação dos alunos, demonstrando que a criatividade pedagógica pode  
transformar o ensino tradicional numa experiência significativa e colaborativa.  
56  
O uso de ferramentas e plataformas tecnológicas representa um componente essencial na formação  
de professores para a implementação da gamificação. Não se trata apenas de aprender a utilizar  
software ou aplicações, mas de compreender como estes recursos podem ser integrados de maneira  
significativa e contextualizada nos processos de ensino e aprendizagem. Neste sentido, o Ministério  
da Educación Nacional (2018) promoveu espaços como o workshop Colômbia 4.0 em Bogotá, onde  
80 professores de educação infantil, básica e média foram capacitados no uso de ferramentas gami-  
ficadas do portal educativo Colombia Aprende.  
Complementarmente, universidades do país desenvolveram projetos destinados a fortalecer as com-  
petências tecnológicas dos professores por meio de experiências gamificadas imersivas. A Universidad  
de Santander (2025), por exemplo, promove uma metodologia inovadora que acompanha a prática  
pedagógica real, considerando os contextos institucionais e comunitários dos professores. Estas ini-  
ciativas mostram que a adoção tecnológica não pode ser reduzida ao domínio instrumental; deve  
ser entendida como uma experiência formativa integral, onde a tecnologia é colocada ao serviço da  
criatividade, colaboração e transformação educacional.  
A avaliação da gamificação constitui um desafio central nos processos de inovação educacional. For-  
mar professores nesta competência envolve ensiná-los a avaliar a eficácia das estratégias gamificadas  
não apenas com base nos resultados académicos, mas também considerando indicadores de moti-  
vação, participação e comprometimento estudantil. Embora na Colômbia ainda não tenham sido de-  
senvolvidos estudos específicos sobre avaliação docente de estratégias gamificadas em matemática,  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
investigações anteriores oferecem bases conceituais relevantes (Mera, 2016; Cáceres & Gómez, 2022;  
Cárdenas & Chacón, 2023).  
Esta investigação concorda que a avaliação deve ser concebida como um processo formativo e re-  
flexivo, permitindo ao professor analisar não apenas o que os alunos aprenderam, mas como o apren-  
deram e quais emoções, decisões e estratégias cognitivas intervieram nessa aprendizagem. Neste  
sentido, avaliar a gamificação envolve repensar os critérios de sucesso educativo, incorporando di-  
mensões afetivas e colaborativas que transcendem a avaliação tradicional e consolidam um ensino  
matemático mais humano, participativo e significativo.  
Para superar as barreiras identificadas e aproveitar plenamente o potencial da gamificação no ensino da  
matemática em Bogotá, é necessário avançar para ações integrais que envolvam tanto os responsáveis  
pelas políticas educativas como os professores em exercício. Não se trata apenas de incorporar ferra-  
mentas tecnológicas ou dinâmicas de jogo, mas de reconfigurar as condições institucionais, formativas  
e culturais que permitam que a gamificação se consolide como uma estratégia pedagógica sustentável,  
capaz de transformar o ensino e a aprendizagem da matemática nas escolas públicas da cidade.  
Garantir que todas as instituições educativas de Bogotá, especialmente as públicas, tenham infraes-  
trutura tecnológica adequada é uma condição indispensável para implementar estratégias gamifica-  
das. Isto inclui acesso equitativo à conectividade, dispositivos e software educativos atualizados, bem  
como ambientes digitais seguros e sustentáveis. Segundo o Ministerio de Educación Nacional (2025),  
"a infraestrutura educativa não apenas apoia o processo de ensino-aprendizagem, como também  
desempenha um papel crucial na criação de um ambiente inclusivo, motivador e saudável para toda  
a comunidade educativa".  
57  
Em concordância, a linha estratégica de convergência regional do Plan Nacional de Desarrollo 2022–  
2026 enfatiza a necessidade de "promover a equidade territorial e superar as lacunas no acesso à  
educação desde o nível pré-escolar até ao ensino superior" (Findeter, 2023). Esta visão reforça o prin-  
cípio de que a inovação pedagógica, e em particular a gamificação, não pode consolidar-se sem  
condições materiais que garantam o acesso universal à tecnologia como ferramenta de aprendizagem  
e justiça educativa.  
É essencial promover a criação, difusão e uso de Recursos Educacionais Abertos (REA) gamificados,  
concebidos especificamente para o currículo de matemática colombiano. Estes materiais podem in-  
cluir plataformas digitais, jogos educativos, modelos de design, guias pedagógicos e repositórios co-  
laborativos que facilitem a adaptação por parte dos professores a diferentes níveis e contextos  
escolares. Além de promover a inovação metodológica, os REA contribuem para democratizar o  
acesso ao conhecimento e fortalecer a autonomia docente, permitindo que os professores compar-  
tilhem, modifiquem e melhorem os materiais de acordo com as necessidades dos seus alunos. O seu  
desenvolvimento requer um trabalho conjunto entre universidades, ministérios e comunidades do-  
centes, garantindo que estes recursos sejam gratuitos, acessíveis e culturalmente pertinentes, em  
coerência com uma educação pública aberta e equitativa.  
É indispensável incorporar a gamificação como componente estrutural nos programas de formação  
inicial e contínua de professores de matemática. Desta forma, os futuros educadores poderão de-  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
senvolver competências pedagógicas e tecnológicas que lhes permitam aplicar metodologias ativas  
desde o início da sua prática profissional. Como afirmam Lozada e Betancur (2015), "a necessidade  
constante de atualizar os métodos educativos deve ser considerada para melhorar a qualidade da  
educação, que depende principalmente dos conteúdos que são ministrados, das necessidades da  
sociedade e da cobertura". Nesta perspetiva, a formação de professores deve ir além da atualização  
técnica; implica repensar o ensino como um espaço de criatividade, autonomia e compromisso com  
a inovação, onde a gamificação se torna uma ferramenta-chave para conectar a aprendizagem ma-  
temática com as realidades e motivações dos alunos.  
É fundamental promover a investigação-ação como uma prática permanente entre os professores  
de matemática, permitindo-lhes analisar, avaliar e melhorar a eficácia da gamificação nos seus próprios  
contextos. Esta abordagem transforma a sala de aula num laboratório pedagógico, onde a reflexão  
sobre a prática gera conhecimento situado e relevante para as realidades educativas de Bogotá. Além  
de fortalecer a autonomia profissional, a investigação-ação promove uma cultura docente colabora-  
tiva e crítica, na qual os educadores não apenas aplicam metodologias inovadoras, mas também  
constroem e validam o seu próprio conhecimento pedagógico, contribuindo assim para o desenvol-  
vimento de uma educação mais contextualizada, participativa e sustentável.  
Metodologia  
Esta reflexão enquadra-se numa revisão analítica e crítica relacionada com a gamificação no ensino  
da matemática e as atitudes dos professores perante a sua implementação. O trabalho baseia-se num  
processo de revisão teórica, mas abordado a partir de uma perspetiva interpretativa, focada em com-  
preender como estudos anteriores explicaram a relação entre inovação pedagógica, formação de pro-  
fessores e prática educativa. Mais do que aplicar um protocolo de meta-análise, o interesse residiu em  
identificar os principais debates, tensões e lacunas presentes na literatura, para contribuir com uma  
leitura contextualizada do fenómeno no âmbito da educação matemática em Bogotá.  
58  
Para o desenvolvimento desta reflexão, foi realizada uma revisão documental exaustiva com o objetivo  
de reconhecer avanços, desafios e abordagens contemporâneas relativas à gamificação no ensino da  
matemática. Foram priorizados estudos recentes e representativos tanto do âmbito internacional como  
do contexto latino-americano, para articular perspetivas globais com as particularidades educativas  
de Bogotá. Esta análise permitiu construir uma base teórica sólida que sustenta a reflexão e dá conta  
dos principais debates em torno da incorporação de metodologias ativas na educação matemática.  
Além da revisão de fontes académicas especializadas, foi realizado um processo de contraste e diálogo  
entre diferentes perspetivas teóricas, com o propósito de ampliar a compreensão do fenómeno e  
evitar uma visão fragmentada da gamificação. Este exercício permitiu identificar coincidências, tensões  
e lacunas conceptuais nos estudos sobre educação matemática, bem como reconhecer as abordagens  
mais recentes sobre formação e atitude docente perante a inovação. A articulação entre autores clás-  
sicos e contribuições contemporâneas enriqueceu a análise, oferecendo uma visão integral que com-  
bina fundamentos teóricos, experiências de sala de aula e reflexões pedagógicas.  
A seleção da literatura que sustenta esta reflexão foi baseada em critérios conceptuais e pedagógicos,  
mais do que procedimentais. Foram priorizados os estudos que ofereceram contribuições significativas  
sobre o conhecimento, as atitudes e as perceções dos professores relativamente à gamificação e à sua  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado  
Gamificação em matemática: um olhar crítico sobre as tensões entre inovação e prática docente em Bogotá  
relação com o ensino da matemática. Do mesmo modo, foi considerada a investigação que abordou  
a inovação educativa a partir de abordagens qualitativas, quantitativas ou mistas, contribuindo para a  
compreensão da dimensão humana e contextual da prática pedagógica.  
Foram incluídos tanto artigos científicos e capítulos de livros, como experiências documentadas e es-  
tudos de caso que permitiram contrastar perspetivas internacionais com realidades latino-americanas.  
A seleção respondeu a critérios de relevância e atualidade, mais do que de exaustividade, com o pro-  
pósito de construir uma visão crítica e situada do fenómeno educativo analisado.  
De forma similar, o processo de análise envolveu uma delimitação intencional do foco, evitando a in-  
clusão de estudos que não abordassem diretamente o ensino da matemática ou o papel do professor  
em relação à gamificação. Foram descartados trabalhos focados exclusivamente na aprendizagem do  
aluno ou em experiências de jogo desconectadas da análise pedagógica. Esta decisão permitiu manter  
a coerência temática e epistemológica da reflexão, focando-a na prática docente como espaço privi-  
legiado para compreender os alcances e as limitações da gamificação na sala de aula.  
Igualmente, foi dada prioridade a textos académicos com respaldo científico, excluindo materiais de  
divulgação ou propostas sem fundamento investigativo. Esta seleção não pretendeu restringir o debate,  
mas preservar o rigor e a pertinência da análise, garantindo que as fontes fornecessem evidências ou  
argumentos sólidos sobre o fenómeno educativo examinado.  
O processo de análise foi desenvolvido em várias etapas interpretativas que permitiram organizar e  
compreender a informação a partir de uma perspetiva crítica. Em primeiro lugar, foi realizada uma  
identificação das abordagens predominantes na literatura recente sobre gamificação e ensino da ma-  
temática, reconhecendo os contextos onde esta estratégia teve maior desenvolvimento e os fatores  
que limitaram a sua adoção.  
59  
Posteriormente, foi realizada uma leitura analítica e comparativa dos estudos selecionados, com o pro-  
pósito de identificar convergências, contradições e lacunas conceptuais. Esta fase centrou-se na re-  
construção do discurso educativo que se configurou em torno do papel do professor, tornando visível  
como as atitudes, conhecimentos e crenças influenciam a implementação da gamificação.  
Finalmente, a informação foi sintetizada em eixos temáticos que articulam a reflexão apresentada neste  
artigo: a gamificação como abordagem pedagógica emergente, a formação e a atitude docente pe-  
rante a inovação metodológica e os desafios institucionais que condicionam a sua integração na sala  
de aula. Este processo permitiu transcender a descrição de resultados e avançar para uma leitura in-  
terpretativa do fenómeno educativo, coerente com o propósito reflexivo deste trabalho.  
Estratégia de busca  
A estratégia de busca foi elaborada com o objetivo de identificar a literatura mais relevante e atualizada  
em bases de dados acadêmicas de alto impacto. Foram utilizadas combinações de palavras-chave em  
espanhol e em inglês, incluindo termos relacionados a gamificação”, “matemática”, “docentes”, “atitu-  
des”, “conhecimento”, “percepção”, “formação” e “educação”. As bases de dados consultadas foram Sco-  
pus, Web of Science, ERIC, SciELO, Dialnet e Google Acadêmico, selecionadas por sua abrangência no  
campo da educação e por indexarem periódicos científicos de qualidade. A busca foi delimitada a pu-  
blicações no período de 2010 até a data atual (2025), a fim de assegurar a relevância e a atualidade  
dos estudos. A cadeia geral de busca utilizada foi a seguinte:  
REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X  
Miguel Chávez Marín  
(gamificación OR gamification) AND (matemáticas OR mathematics) AND (docentes OR teachers OR pro-  
fessors OR educators) AND (actitudes OR attitudes OR percepción OR perception OR conocimiento OR  
knowledge OR formación OR training) AND (educación OR education).  
Além da busca em bases de dados, realizou-se uma busca manual nas listas de referências dos arti-  
gos-chave identificados, em repositórios institucionais e em periódicos especializados em educação  
matemática e gamificação, com o objetivo de identificar estudos adicionais que pudessem não ter  
sido capturados pela busca inicial. Essa busca por outros métodos permitiu ampliar o alcance da re-  
visão e assegurar a inclusão de literatura relevante.  
Critérios de elegibilidade  
Para a seleção dos estudos, estabeleceram-se critérios de inclusão e exclusão claros e predefinidos:  
Critérios de inclusão  
Estudos empíricos: Trabalhos quantitativos, qualitativos ou mistos que investiguem o conhe-  
cimento, as atitudes ou as perceções dos docentes sobre a gamificação no ensino da matemá-  
tica.  
Estado de publicação: Incluíram-se artigos publicados em revistas científicas revistas por pares,  
capítulos de livros ou trabalhos de investigação (teses).  
Dados: Os estudos deviam informar o nome da filiação institucional do autor.  
• Idioma: Os relatórios dos estudos deviam estar disponíveis em inglês ou contar com uma tradução  
parcial para inglês na qual os métodos e resultados estivessem claramente descritos.  
Enfoque temático e nível educativo: Estudos que incluíssem a gamificação em qualquer nível  
educativo (primário, secundário, superior) desde que o foco fosse o ensino da matemática.  
• Tipo e qualidade dos estudos incluídos: Estudos que incluíram dados primários ou revisões  
sistemáticas que cumpriram os critérios de qualidade.  
60  
Critérios de exclusão  
Estudos que não estavam diretamente relacionados com a gamificação em matemática ou o  
papel docente (ex., gamificação noutras disciplinas, gamificação para estudantes sem enfoque  
no docente).  
• Artigos de opinião, editoriais, resumos de conferências sem publicação completa, ou literatura  
cinzenta não revista por pares.  
• Estudos que não apresentavam dados empíricos ou análise de perceções/atitudes/conheci-  
mentos docentes.  
• Estudos duplicados ou versões preliminares de publicações finais.  
Processo de Seleção de Estudos (Fases PRISMA)  
O processo de seleção de estudos levou-se a cabo em várias fases, seguindo o diagrama de fluxo PRISMA:  
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado