Mário Adelino Miranda Guedes
Instituto de Estudios Superiores de Investigación y Postgrado
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Deve-se igualmente lembrar ainda que, no contexto angolano, o conflito armado que o país viveu
quase três décadas provocou o êxodo populacional para as grandes cidades, fazendo com que
grande número de pessoas se aglomerasse nas mesmas, aumentando de forma assustadora o esforço
do estado na oferta formativa que na maior parte das ocasiões não tem sido proporcional a este fe-
nômeno.
Como se pode aferir, existe certa coincidência entre os fatores universais e a realidade local, o que
pode estar intrinsecamente associado à realidade socioeconômica e politica de cada região ou espaço
geográfico. Porém, o estudo de David (2022), sobre a desigualdade social e os processos de ensino
e aprendizagem de crianças da Educação infantil dá ênfase aos fatores ligados ao acesso a escola
como são os casos da desigualdade social, econômica, racial, género, interações entre crianças e
educadores, espaços materiais e mobiliários, a formação e condições de trabalho e a cooperação
entre a escola e a família.
Esta reflexão é corroborada por Chilumbo (2019), que em seu estudo sobre o sistema educativo an-
golano e sua adequação no contexto cultural das zonas rurais em Huambo, Angola, considerou um
ensino muito fraco, uma vez que carece de várias reflexões na aplicação das politicas publica elen-
cadas nos fatores sociais, econômicos e geográficos, o que tem levado a necessidade das famílias
para se alimentarem, e como consequências, as crianças vão à escola com aparência triste e desnu-
trida, o que requer em certa medida a flexibilidade pedagógica local para poderem enfrentar as la-
cunas constatadas no seu cotidiano profissional.
A situação de acesso de crianças ao ensino primário em Angola na perspectiva de Chikela (2016) ca-
rece de reformas urgentes por formas a se reduzir de forma significativa tal dificuldade, tais como
um ambiente familiar de apoio, onde os pais se envolvem na educação dos filhos, saúde física e men-
tal adequada do aluno, a qualidade do ensino oferecido pelas escolas e as infraestruturas escolares
acessíveis. Outros factores importantes incluem o apoio econômico e social, professores qualificados
e uma cultura escolar positiva que incentiva a aprendizagem.
Os elementos referidos pelo autor supracitado são corroborados por Luís (2021), que no seu estudo
sobre o acesso à educação em Angola referia que o acesso ao ensino continua a ser prioridade do
estado, independentemente das circunstâncias, pelo que, os estados devem estimular no âmbito de
suas politicas públicas, todas as condições que facilitam a adesão e acesso ao ensino público, com
realce para a o acesso a educação primária sendo um direito subjetivo de todo o cidadão, pelo que
merece e necessita o devido respeito.
De acordo com o relatório, do Instituto Nacional de Estatística (2025), divulgado aos 25 de Novembro
deste ano, no âmbito da apresentação dos resultados do censo populacional e de habitação realizado
em 2024, existe em Angola 5 milhões de crianças, em idade escolar, fora do sistema de ensino, co-
rrespondendo 22% do total de crianças angolanas nesta faixa etária, pelo que chama-se a atenção
de um maior desafio não só do Ministério da Educação, mas a necessidade de uma abordagem mul-
tidisciplinar deste fenômeno, uma vez ser um direito fundamental inalienável, sendo igualmente uma
questão de cidadania
Considerações finais
A Educação é uma prática social que visa ao desenvolvimento do ser humano, de suas potencialida-
des, habilidades e competências. Ela pode ser atribuída também a um dever da família e do estado,
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação