https://doi.org/10.59654/vxk8ab27
Filosofia ou Filosofias? Polêmicas em torno da
academia e da Vida*
¿Filosofía o Filosofías? Polémicas en torno a la
academia y la Vida
Resumo
Embora frequentemente se considere que filosofar seja uma postura meramente acadêmica, todos(as) possuímos
inquietações filosóficas em relação a fenômenos naturais, a origem da vida e do universo a essência humana, a
ética; em suma, podemos considerar a existência desses núcleos problemáticos como essencial para o ser humano.
Este artigo reflete sobre o anterior e também sobre a falsa ideia da existência da Filosofia como um todo uniforme
e singular, um cânone produzido e imposto a partir da Europa e de seus processos colonizadores, que tiveram
como consequência a invisibilização das Filosofias não ocidentais dos povos originários da Ásia, África e América
(Abya Ayala). Outra ideia sustentada no texto refere-se à necessária atualização e pertinência das profissões vincu-
ladas às Filosofias, que muito podem contribuir para a compreensão dos dilemas contemporâneos.
Palavras-chave: Filosofias, filosofar, academia, vida.
Resumen
Aunque con frecuencia se considera que filosofar es una postura solo académica, todos (as) poseemos inquietudes
filosóficas respecto a fenómenos naturales, el origen de la vida y el universo, la esencia humana, la ética; en fin que
podemos considerar la existencia de esos núcleos problemáticos como esenciales para el ser humano. El presente
artículo reflexiona sobre lo anterior y también sobre la falsa idea de la existencia de la Filosofía como un todo uni-
forme y singular, canon producido e impuesto desde Europa y sus procesos colonizadores, los cuales trajeron como
consecuencia la invisibilización de las Filosofías no occidentales de los pueblos originarios de Asia, África y América
(Abya Ayala). Otra idea sostenida en el escrito se refiere a la necesaria actualización y pertinencia de las profesiones
vinculadas a las Filosofías, que mucho pueden aportar a la comprensión de los dilemas contemporáneos.
Palabras clave: Filosofías, filosofar, academia, vida.
Como citar este artigo (APA): Medina, B. R. M. (2026). Filosofia ou Filosofias? Polêmicas em torno da academia
e da Vida. Revista Digital de Investigación y Postgrado, 7(13), 143-150. https://doi.org/10.59654/vxk8ab27
Rosa María Medina Borges**
Universidade de Ciências Médicas de Havana
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REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X
Introdução
Uma das características fundamentais do aparato metodológico das Filosofias tem a ver com a postura
contemplativa, com o dissenso, as aporias, a dúvida, o desconforto em relação ao que se considera
conhecimento estabelecido, assim como uma constante reflexão em torno da cosmovisão que se
tem do mundo. Também existem fortes disposições (sobretudo na contemporaneidade) a participar
na transformação da realidade à qual se pertence.
Estas ideias surgem como parte da minha experiência situada como professora de Filosofia formada
em Cuba, que lecionei em vários países da América Latina, cujas interações me nutriram (Cuba, Mé-
xico, Argentina, Colômbia, entre outros) e publiquei as minhas ideias em revistas indexadas do con-
tinente latino-americano e de Espanha. A partir dessa vitalidade contextualizada pretendo "montar
um mosaico" sobre aquilo que me acontece e atravessa em matéria filosófica, entendida como es-
sencialidade humana que transcende a postura antropocêntrica para se conectar com a Vida toda.
Na presente comunicação sustenta-se a ideia de que a Filosofia não existe no singular.1 Estamos pe-
rante as Filosofias, que o discurso reducionista ocidental da modernidade europeia terminou por
cooptar mediante a imposição universal, primeiro das Filosofias escolásticas e renascentistas, seguidas
do Positivismo, ignorando as Filosofias outras dos povos colonizados.
As Filosofias não são exclusivamente originárias da Europa
Todos os povos, desde os albores da humanidade, tiveram perguntas ou núcleos problemáticos acerca
da natureza do Ser, da existência de forças sobrenaturais, do significado da vida, da ética da existência
humana, entre outras interrogações. Por isso, pode-se afirmar que as inquietações ontológicas, gno-
seológicas, epistemológicas e axiológicas também não são exclusivas de filósofos e filósofas, embora
o seja a produção científica e acadêmica sobre elas.
Também nos podemos perguntar se qualquer graduado(a) em Filosofia pode hoje dedicar seu labor
profissional à Filosofia pura, e a resposta é muito evidente: não é possível nem necessário. No entanto,
as Filosofias seguem desempenhando um papel metodológico importante, adequado a novas ne-
cessidades, como os estudos filosóficos do desenvolvimento tecnológico e da Inteligência Artificial
(IA).
Cada vez surgem novas dimensões aplicadas, tais como: Filosofia da Tecnologia, Bioética, para men-
cionar apenas algumas. Portanto, é necessário lecionar e pesquisar a partir de uma abordagem inter
e transdisciplinar, relacionando o pensamento filosófico com o mundo e as profissões, exibindo uma
postura de estar sempre à beira das fronteiras científicas e dos limiares do conhecimento (Medina,
2022).
Compartilha-se o critério de Dussell et. al. (2009) e Dussell (2015) sobre a não universalidade das fi-
losofias europeias. É necessário ampliar a divulgação e o resgate das filosofias produzidas ao longo
dos séculos, inclusive algumas anteriores à grega, nos territórios da China, Índia, Oriente Médio, África
e nas Filosofias das culturas originárias de Abya Ayala; cujas características principais são a diversidade,
a compreensão da Vida para além do ser humano, a harmonia com a natureza e com o universo
todo. Referimo-nos a filosofias contextualizadas e marcadas por uma interiorização das essências
culturais dos povos que as produzem.
1Como também não existem: a ciência e a arte. Mas sim, as ciências e as artes.
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Enquanto isso, o eurocentrismo globalizado está chegando ao limite de sua destruição, evidenciado
na crise ecológica atual e em todas as consequências sistêmicas: econômicas, sociais e culturais que
a acompanham. Resulta cada vez mais urgente descolonizar o pensamento do Sul global. Pôr fim ao
epistemicídio e à violência ontológica aos quais foram submetidos milhões de seres humanos.
Filosofias, para quê?
As Filosofias possuem uma essência muito genuína: requerem uma predisposição proativa para en-
frentar o desconhecido, as contradições sem saídas aparentes, o choque de ideias, a ruptura com a
tradição filosófica estabelecida. Além da necessidade crescente de romper com os estigmas que exis-
tem sobre o filosófico como algo que perturba e nós(as) que nos dedicamos a filosofar: como os(as)
"esquisitos(as)", os inadaptados, entre outras etiquetas pejorativas.
Existirá pluralismo filosófico quando, em igualdade de importância, junto ao estudo de Aristóteles,
Descartes, Kant, Hegel; se estude Confúcio, Avicena, Fanon, Martí, Zapata Olivella. Quando se escave
nas tradições orais e no universo simbólico das filosofias maya, aymara, guarani, mapuche, nasa,
misak, wayúu — entre outras — esforços que estão sendo concentrados na etnoeducação e inter-
culturalidade, mas que precisam avançar com mais profundidade para o universo cosmovisivo desses
povos. Embora valha mencionar que muitos(as) pesquisadores(as) estão preocupados(as) e ocupa-
dos(as) nesse labor (Conrado, 2022; Rengifo, 2022; Guadarrama y Martínez, 2023; Correa, 2024).2
Do rançoso individualismo da sociedade capitalista, que colocou o ser humano como centro de tudo,
com a possibilidade universal e abstrata de ascender e enriquecer, poucas filosofias se legitimam,
apenas aquelas que cheiram a pragmatismo. Enquanto que as filosofias originárias colocam o seu
olhar na força da coletividade e na importância de salvaguardar e enriquecer os laços filiais, o respeito
pelos mais velhos e o amor da comunidade. Sociedades que foram tocadas pela modernidade e que
muitas estão a perder as suas tradições ancestrais.
Atualmente, é esmagador o reino do mercado. Tudo se compra e vende. Os nossos dados, a nossa
identidade pessoal, o que publicamos na internet. Quase tudo se rege pelo marketing. Então, cabe
perguntar: Filosofias para quê? (Alvargonzález, 2020). Daí derivam várias inquietações, desde:
A ponderação do científico e do tecnológico. A IA e o seu esmagador predomínio nas nossas
vidas. Consideram-se obsoletas questões tão abstratas como as filosofias.
As democracias políticas engenheiras. Cada cidadão/ã é livre de pensar, fundamentar o seu
mundo e agir. De maneira que é inútil "divagar" em dúvidas filosóficas.
Mercado e a economia: que sentido teria esse discursar inteligível, quando tudo é tão concreto
e imediato?
Os governos preocupados com o orçamento. Dedicam poucos recursos ao desenvolvimento
de projetos de investigação filosóficos, visto que são considerados de segunda ordem de im-
portância.
As famílias perguntam-se: qual seria o sentido prático de um/a jovem estudar Filosofia quando
há outras carreiras mais atrativas e melhor remuneradas no mercado de trabalho?
Uma análise superficial de tais interrogações levar-nos-ia a dar por terminada a função social das Fi-
losofias. No entanto, possíveis respostas que validam a sua importância derivam de outra pergunta:
2Apenas são mencionados os trabalhos que foram consultados. No entanto, há muitos mais em revistas indexadas e
bases de dados fidedignas.
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Para que filosofar na atualidade?
Vindo de uma tradição filosófica cubana que encontra sua máxima expressão na Filosofia da relação,
de José Mar3. Um ser humano excepcional, em cuja existência se articularam sem contradição abis-
sal, mas com muito esforço pessoal e drama humano: o político independentista, escritor de máximo
calibre, jornalista incansável4, crítico de arte, cronista de ciência e tecnologia, pedagogo renovador
e também o filósofo que rompeu cânones e escolas.
Segundo Medina (2024), uma das chaves maravilhosas da filosofia de Martí reside no seu caráter
prático e na capacidade de dialogar com contextos reais e autênticos; em harmonia e articulação
com os valores representativos da condição humana. Não escolheu ser um filósofo ao estilo tradicio-
nal. Não encontraremos nele uma obra sistematizada segundo os cânones dos sistemas clássicos.
Fez filosofia a partir de cada crónica jornalística, poema ou discurso. Filosofia da qual o mundo precisa
para se transformar, Filosofia que acompanha a vida e que pulsa em cada conflito humano e social.
Filosofia como ação social e transformadora.
Essa essência tão cubana e latino-americana de uma Filosofia para a ação é a que devemos resgatar
hoje. Enuncia Martí (2000) o princípio do Eletivismo Filosófico5 ...não há maneira de salvar-se do risco
de obedecer cegamente a um sistema filosófico, senão nutrir-se de todos, e ver como em todos pal-
pita um mesmo espírito..." (p. 234).
O Eletivismo em Filosofia compreende a livre eleição sem preconceitos nem dogmas pré-estabeleci-
dos, renunciar ao ensino memorístico (que séculos depois, goza de boa saúde) e ao servilismo inte-
lectual, praticar o questionamento do mundo e da vida que pretendem impor-nos. Sacar conclusões
por si mesmo acerca de determinadas "verdades" que nascem de uma época e um contexto mas
que podem caducar. Repensar cada uma das interrogações filosóficas e tomar as ideias mais sábias
para cada desafio da existência. O papel das Filosofias nunca é abstrato nem a-histórico, é situado.
Mas deve responder à natureza do próprio filosofar: eleição, postura crítica e despreconceituosa.
Para Martí (1991a) há três ideias essenciais à hora de examinar o mundo desde uma postura filosófica:
1) o verdadeiro é o sintético, 2) a filosofia não é mais que o segredo da relação entre as várias formas
de existência, 3) o bom método filosófico é aquele que, ao julgar o homem, o toma em todas as ma-
nifestações do seu ser.
Por outro lado, expressaria uma asserção muito vigente no século XXI: "... A vida deve ser diária, mo-
vível, útil; e o primeiro dever de um homem destes dias, é ser um homem do seu tempo. Não aplicar
teorias alheias, senão descobrir as próprias. Não estorbar o seu país com abstrações, senão inquirir
a maneira de fazer práticas as úteis..." (Martí, 1991b, p.97). No pensador cubano fundem-se as Filo-
sofias, as Artes e as Ciências. O seu pensamento move-se nos limiares de todo o conhecimento.
É muito grande o dano que fazem os dogmas na circulação de ideias, a maneira reducionista através
da qual aprendemos a pensar desde modelos pedagógicos eurocentrados, o qual fica evidenciado
quando no plano subjetivo -ao dizer de Deleuze (1994)- o outro falta na estrutura do mundo e co-
meça então a reger a lei sumária do tudo ou nada. Então entramos num combate sem matizes, eri-
3Intelectual, patriota e político cubano (1853-1895).
4Escreveu para mais de 20 jornais latino-americanos da época.
5Cujo origem se encontra na Filosofia Eletiva, fundamentada pelo pedagogo cubano José Agustín Caballero desde a sua
docência no Seminário de San Carlos y San Ambrosio, iniciada em 1797 (Iglesias, 2018).
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gimo-nos ameaçadores porque se termina a suavidade que permite habitar o mundo. Tomam o con-
trolo das nossas vidas as diferenças absolutas que recordam as insuportáveis repetições e as distâncias
sobrepostas, que reinam nos supostos debates filosóficos.
Jaramillo (2009) aponta para uma necessidade sentida por muitos(as) intelectuais da nossa América:
resulta impostergável passar das filosofias estabelecidas aos pensamentos itinerantes, a urgência de
posturas filosóficas de descentramento e avivar o sentido emancipador dessa vitalidade insubstituível
que é a especulação filosófica.
Filosofias desde, com e para a vida
Martí (1994) perguntava-se, de uma maneira muito poética, onde começa a vida e de que oficina
saímos nós, os seres humanos (complicados e maravilhosos), e então respondia que a vida é uma
agrupagem lenta e um encadeamento assombroso entre todas as formas de existência, ideia diame-
tralmente oposta ao antropocentrismo moderno que tem levado a sociedade humana ao caos, ao
converter a natureza numa mercadoria mais ao serviço do capital extrativista. Por outro lado, consi-
derava o intelectual cubano que eram poucos os cientistas que sabiam explicar de maneira clara a
composição e produção da vida e as relações harmónicas que deviam existir entre os seres humanos
e as demais formas de vida.
Precisamos aprender como outras espécies ou seres vivos processam informação, resolvem proble-
mas, vivem cooperativamente e em harmonia. Pensar como a natureza é uma necessidade que de-
vemos cultivar desde as primeiras etapas da vida humana (Medina, 2024). Resgatar a simplicidade
da vida, o aparentemente insignificante por cotidiano, mas que define o amor e a ternura do que
somos. Criar novas interconexões e entrelaçamentos para a compreensão de que não estamos so-
zinhos neste mundo, nem nos salvaremos sozinhos. E a interiorização dos múltiplos entrelaçamentos
da existência da Biosfera, os quais a cultura ocidental tem violado e explorado de maneira indiscri-
minada. Trata-se de voltar às cosmologias dos povos originários que, há milhares de anos, tinham
muito clara a relação do ser humano com a natureza e com o universo todo.
Monroy et.al. (2022) realizam uma interessante abordagem da atualidade e os imperativos que se
encontram no centro das reflexões filosóficas sobre as próprias filosofias. Alegam que, embora pensar
seja já em si uma praxis, ao longo da história as filosofias não se têm conformado em pensar só como
mera contemplação teórica, senão que se têm desdobrado através de diferentes praxis.
A ideia anterior é bastante desconhecida no acervo popular, onde se realiza uma igualação entre fi-
losofias e abstrações. Se bem é certo que ao aparato categorial filosófico o caracteriza certa abstração,
esta particularidade é posta em diálogo com a vida mesma, na maioria dos corpos de ideias filosóficas,
com muita nitidez nas filosofias não ocidentais.
A necessidade de atualizar o papel social e profissional daqueles(as) que se dedicam a filosofar é
uma intenção bem fundamentada por Monroy et.al. (2022), que reconhecem novos campos e áreas
profissionais para os(as) egressos(as), concebendo nas suas reflexões "... mais que uma defesa da uti-
lidade de uma graduação ou pós-graduação em Filosofia, um ato de responsabilidade com as ex-
pectativas das pessoas que optam por estudá-la, mas também um compromisso com o mundo em
que vivemos..." (p. 130). Compromisso que não encerra o mero acompanhamento a novas transfor-
mações tecnológicas ou demandas do mercado, senão a posta em debate dos fundamentos onto-
lógicos, gnoseológicos e epistemológicos das novas realidades que ultrapassam o entendimento
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filosófico moderno, e nas quais também se decide o destino da humanidade e da vida toda da Bios-
fera.
Cada vez resulta mais imperioso que os cientistas sociais, dentro deles(os) filósofos(as), formem parte
ativa de todas as esferas sociais: desde a cátedra, a docência, até formar parte ativa dos desenvolvi-
mentos de medicamentos e tecnologias da Saúde, incluindo-se nas equipas técnicas que avançam a
IA, não para submeter os seus conhecimentos ao interesse do mercado e do capital, mas para de-
fender a vida e os direitos das espécies (humana e não humanas). A responsabilidade bioética da
tecnologia também passa pelas filosofias desde, com e para a vida.
Reflexões a modo de não conclusões
Perguntar-se hoje acerca da relevância e utilidade das Filosofias é, em si mesma, uma forma de Filo-
sofar. O presente exercício permitiu-nos polemizar, exercer o critério e, portanto, mover os pensa-
mentos para o debate em torno desta disquisição, enunciadora da urgência de pensar a vida, para
além das academias. Chamamos a este apartado não conclusões, já que este tema tão importante
deve ficar aberto para que cada leitor(a) busque as suas próprias respostas e examine as suas in-
quietações filosóficas.
O próprio conteúdo etimológico da palavra Filosofia(s) e todas as suas derivadas encerram o amor
pelo conhecimento na sua máxima expressão: a sabedoria, não como acumulação de informação,
mas como desvendamento que guia a compreensão, o estar e o transformar o mundo.
A sabedoria e a reflexão filosófica não são apenas património dos académicos ou investigadores. É
uma condição humana natural, gozada e praticada por todos(as) aqueles(as) que cada manhã nos
perguntamos sobre alguma maravilha do mundo e as razões que valem a pena para continuar a
viver.
Como ocidentais, devemos aprender dos povos originários que se assumem como parte de um todo,
sem que haja lugar a qualquer noção de superioridade ou privilégio. Trata-se, antes, do cuidado e
do equilíbrio de tudo o que existe entre o céu e a terra. Mais do que proteger um entorno natural
(não deitar lixo, não poluir, que já de si são importantes), há fios mais profundos e sublimes que nos
conectam com a terra, os rios, as estrelas, que, ainda que por vezes não estejam tão perto, tudo está
entrelaçado.
Filosofar, então, deve ajudar-nos a ampliar e a resgatar o sentido das Filosofias para além do redu-
cionismo imposto. Para além da academia, como necessidade da vida e da condição humana. Como
compreensão do pequeno fragmento que somos... E que estamos hoje a descobrir, como se descobre
a água tépida.
Privacidade: Não se aplica.
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Data de recepção: 27 de junho de 2025.
Data de aceitação: 1 de agosto de 2025.
Data de aprovação para maquetagem: 15 de agosto de 2025.
Data de publicação: 10 de janeiro de 2026.
* Ponencia apresentada o 27 de setembro de 2025, na temporada 2025-2 do programa Filosofia mais além da academia,
que se desenvolve através da TV UNAD Virtual, pertencente à Universidade Aberta e à Distância, Bogotá, Colômbia. .
Notas sobre a autora
** Doutora em Ciências Pedagógicas, Universidade Pedagógica Enrique José Varona (Havana, Cuba). Pós-doutora em
Ciências Sociais, Infâncias e Juventudes, Universidade de Manizales (Manizales, Colômbia), Mestra em História Con-
temporânea e Relações Internacionais (Universidade de Havana, Cuba), Especialista em Didática das Ciências Sociais
(CLACSO Brasil). Investigadora independente. Email: rosimedina2002@gmail.com.
Rosa María Medina Borges
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