REDIP, Revista Digital de Investigación y Postgrado, E-ISSN: 2665-038X
Filosofia ou Filosofias? Polêmicas em torno da academia e da Vida
Enquanto isso, o eurocentrismo globalizado está chegando ao limite de sua destruição, evidenciado
na crise ecológica atual e em todas as consequências sistêmicas: econômicas, sociais e culturais que
a acompanham. Resulta cada vez mais urgente descolonizar o pensamento do Sul global. Pôr fim ao
epistemicídio e à violência ontológica aos quais foram submetidos milhões de seres humanos.
Filosofias, para quê?
As Filosofias possuem uma essência muito genuína: requerem uma predisposição proativa para en-
frentar o desconhecido, as contradições sem saídas aparentes, o choque de ideias, a ruptura com a
tradição filosófica estabelecida. Além da necessidade crescente de romper com os estigmas que exis-
tem sobre o filosófico como algo que perturba e nós(as) que nos dedicamos a filosofar: como os(as)
"esquisitos(as)", os inadaptados, entre outras etiquetas pejorativas.
Existirá pluralismo filosófico quando, em igualdade de importância, junto ao estudo de Aristóteles,
Descartes, Kant, Hegel; se estude Confúcio, Avicena, Fanon, Martí, Zapata Olivella. Quando se escave
nas tradições orais e no universo simbólico das filosofias maya, aymara, guarani, mapuche, nasa,
misak, wayúu — entre outras — esforços que estão sendo concentrados na etnoeducação e inter-
culturalidade, mas que precisam avançar com mais profundidade para o universo cosmovisivo desses
povos. Embora valha mencionar que muitos(as) pesquisadores(as) estão preocupados(as) e ocupa-
dos(as) nesse labor (Conrado, 2022; Rengifo, 2022; Guadarrama y Martínez, 2023; Correa, 2024).2
Do rançoso individualismo da sociedade capitalista, que colocou o ser humano como centro de tudo,
com a possibilidade universal e abstrata de ascender e enriquecer, poucas filosofias se legitimam,
apenas aquelas que cheiram a pragmatismo. Enquanto que as filosofias originárias colocam o seu
olhar na força da coletividade e na importância de salvaguardar e enriquecer os laços filiais, o respeito
pelos mais velhos e o amor da comunidade. Sociedades que foram tocadas pela modernidade e que
muitas estão a perder as suas tradições ancestrais.
Atualmente, é esmagador o reino do mercado. Tudo se compra e vende. Os nossos dados, a nossa
identidade pessoal, o que publicamos na internet. Quase tudo se rege pelo marketing. Então, cabe
perguntar: Filosofias para quê? (Alvargonzález, 2020). Daí derivam várias inquietações, desde:
A ponderação do científico e do tecnológico. A IA e o seu esmagador predomínio nas nossas •
vidas. Consideram-se obsoletas questões tão abstratas como as filosofias.
As democracias políticas engenheiras. Cada cidadão/ã é livre de pensar, fundamentar o seu •
mundo e agir. De maneira que é inútil "divagar" em dúvidas filosóficas.
Mercado e a economia: que sentido teria esse discursar inteligível, quando tudo é tão concreto •
e imediato?
Os governos preocupados com o orçamento. Dedicam poucos recursos ao desenvolvimento •
de projetos de investigação filosóficos, visto que são considerados de segunda ordem de im-
portância.
As famílias perguntam-se: qual seria o sentido prático de um/a jovem estudar Filosofia quando •
há outras carreiras mais atrativas e melhor remuneradas no mercado de trabalho?
Uma análise superficial de tais interrogações levar-nos-ia a dar por terminada a função social das Fi-
losofias. No entanto, possíveis respostas que validam a sua importância derivam de outra pergunta:
2Apenas são mencionados os trabalhos que foram consultados. No entanto, há muitos mais em revistas indexadas e
bases de dados fidedignas.
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